Até quando julho de 2015 continua como mês mais quente da história?

Não é exatamente uma competição mas, em linhas gerais, inúmeras comparações e superlativos podem passar a impressão errada. Você acha que julho de 2015 está satisfeito por ganhar o prêmio de mês mais quente da história do Planeta Terra? Quem colocou o sétimo mês no topo do ranking foi o estudo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) divulgado em agosto (20). O instituto coleta esses dados desde 1880, e a média mundial de 16,61ºC é a maior desde então, 0,88ºC acima da média do século XX.

Se continuar nesse ritmo, 2015 pode se tornar o ano mais quente já documentado, ultrapassando 2014. Inclusive, quando o ano passado levou o troféu, o climatologista Michael Mann pontuou que tal recorde sobre o aquecimento global, é a prova inequívoca de que o homem tem um impacto direto sobre as alterações climáticas. “Seria extremamente improvável que este pudesse ser um ano recorde, durante dez anos de calor recorde, entre tantas décadas de um calor inigualável em todo o milênio passado, se não fosse pelo aumento dos níveis de emissões produzidas pelo combustível fóssil”, disse ao Huffington Post.

Durante os dias de julho, portais noticiaram fatalidades causadas pela onda de calor no Japão, Bélgica e Paquistão. O meio noticioso terceiriza a nossa culpa e, muitas vezes, esquece-se de citar a origem das tragédias, afinal, evoluímos o suficiente para saber o que aumenta anualmente as ondas de calor. O fator humano na alteração climatológica é apontado por relatórios científicos como o mais recente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), que ressalta as incertezas da era em que vivemos. “A influência humana sobre o sistema climático é clara, com amplos impactos sobre sistemas humanos e naturais. Além disso, as emissões de gases de efeito estufa são as mais altas da história” afirma o relatório.

“E esse calor?”

“E esse calor?” (Foto: Pete Souza/divulgação)

O presidente Barack Obama e o Papa Francisco não tem apenas o carisma em comum. Ambos os líderes mundiais estão tomados pela preocupação de que façamos mais pelo planeta. Durante pronunciamento na última semana, o presidente americano desafiou publicamente os prefeitos ao redor do mundo a se comprometerem com um plano de ação climática antes da Conferência do Clima em Paris (COP) no final deste ano. Manifestou ainda a intenção de atingir 100 novas inscrições de cidades norte-americanas junto ao Compact of Mayors até novembro. O mesmo pedido foi feito por Francisco, o primeiro Papa urbano, quando se reuniu em julho (sim, o mês mais quente) com prefeitos de todo o mundo para reforçar a necessidade de termos vozes globais por um futuro de baixa emissão de carbono.

Um dos desígnios do COP21 em Paris é tentar fechar um acordo para que todos os países assumam o compromisso de redução de gases de efeito estufa e, desta forma, limitar o aquecimento global a 2ºC. As projeções, entretanto, indicam que o mundo pode aquecer mais de 4ºC até 2100, causando eventos climáticos extremos como secas, inundações, ciclones e o aumento do nível do mar. Mesmo que a diferença de 2ºC pareça insignificante, pode afetar profundamente a biodiversidade do planeta, provocando desastres ambientais. Cientistas afirmam que uma elevação de 4 ºC afetaria intensamente a agricultura e a pecuária, bem como a inundação de cidades litorâneas e a formação de furacões de maneira mais frequente, em quase todos os oceanos, inclusive no Atlântico Sul.

“Nenhum climatologista pode ouvir que a concentração de gás carbônico chegou a 400 partes por milhão, como aconteceu em 2013, e passar a outro tópico”, disse o antropólogo francês Bruno Latour, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, ou Sciences-Po, para reportagem da Piauí. Para ele, a constatação soa como uma sirene ensurdecedora.

A galeria abaixo é composta por fotografias registradas durante o mês mais quente da história. Sim, o contexto histórico das imagens é relevante, mas, em tempos apressados, precisamos ser realistas: julho de 2015 vai passar a bola logo mais.