Nossa Cidade: a evolução dos sistemas bikeshare

O projeto Nossa Cidade, do TheCityFix Brasil, explora questões importantes para a construção de cidades sustentáveis.

A cada mês um tema diferente.

Com a colaboração e a expertise dos especialistas da EMBARQ Brasil, as séries trazem artigos especiais sobre planejamento urbano, mobilidade sustentável, gênero, resiliência, entre outros temas essenciais para um desenvolvimento mais sustentável de nossas cidades.

 

 

A evolução dos sistemas bikeshare 

(Foto: LesHaines/Flickr)

Em 1965, foi lançado em Amsterdã aquele que é considerado o primeiro sistema bikeshare na história. O Witte Fietsen (em inglês, White Bikes) consistia em bicicletas brancas nas ruas, disponíveis para as pessoas utilizarem. Sem mecanismos de pagamento ou segurança, as bicicletas acabaram danificadas e/ou roubadas, e o projeto logo deixou de existir.

A experiência não ajudou o conceito bikeshare a se fortalecer na época, mas, em contrapartida, foi o primeiro passo do caminho que trouxe ao que hoje entendemos como programas de compartilhamento de bicicletas. Mesmo na década 1990, quase trinta anos depois, a presença de sistemas bikeshare ainda era inexpressiva, não alcançando uma dezena em todo o mundo.

Foi somente a partir dos anos 2000, e na última década em particular, que o número de cidades operando programas do tipo cresceu exponencialmente: de apenas 13 em 2004 para 855 em 2014 – um aumento de nada menos que 6.477%. Hoje, a frota de bicicletas de sistemas de compartilhamento é estimada em 946 mil bicicletas em todo o mundo, a maior parte delas (750 mil) na China.

Sistema Bike Share em Pequim (Foto: EMBARQ/Flickr)

Embora a China também concentre o maior número de sistemas, 237 no total, o maior deles está na Europa. O Vélib, de Paris, há 8 anos em operação, registrou a maior taxa de uso em setembro de 2013, atingindo a marca de 8 viagens por dia por bicicleta. Atualmente, o programa francês tem 1.205 estações e quase 20 mil bicicletas que já ajudaram a realizar 253 milhões de trajetos – uma média de 86 mil por dia.

Mapa das estações do Vélib em Paris.

Também é de Paris uma das iniciativas mais construtivas em termos de sistemas de compartilhamento de bicicletas. O P’tit Vélib, lançado em junho de 2014 como uma extensão do programa, disponibiliza bicicletas também para as crianças. São quatro modelos conforme a faixa etária, além de capacetes em diferentes cores, em um programa criado para estimular o uso da bike como meio de transporte desde cedo.

(Foto: P’tit Vélib/Reprodução)

No Brasil, os sistemas de aluguel de bicicleta estão em pelo menos 20 cidades. Os dois maiores estão na capital fluminense, com pelo menos 400 estações, e em São Paulo, com 285. O programa do Rio de Janeiro, em operação há quase quatro anos, já contabiliza 6,2 milhões de viagens, enquanto em São Paulo os usuários do sistema já realizaram 1,3 milhão de trajetos.

Rede de informações: a importância do acesso aos dados

Ao mesmo tempo em que pesquisadores e gestores começam a compreender o impacto do compartilhamento de bicicletas, os próprios sistemas continuam a evoluir. Os dados referentes à operação e ao funcionamento dos programas bikeshare contribuem para que tanto administrações municipais quanto empresários e usuários tenham conhecimento do crescimento e das mudanças causadas em todo o mundo a partir dos programas de compartilhamento de bicicletas.

O estudo Bikeshare: A Review of Recent Literature, publicado em abril deste ano e do qual foram retirados alguns dados presentes neste artigo, reúne informações de diferentes regiões a respeito da expansão dos sistemas, do perfil do usuário e dos deslocamentos realizados e do impacto na segurança viária, entre outros tópicos. Foi possível descobrir, por exemplo, que, nas cidades analisadas, os sistemas de bicicletas coletivas reduziram o número de quilômetros rodados por veículos motorizados.

Em 2010, Oliver O’Brien, pesquisador do Departamento de Geografia da UCL (University College London) que trabalha com cartografia digital e visualização de dados, transformou essas informações no Bike Share Map. Atualizado em tempo real, o mapa mostra a localização das estações de sistemas em 150 cidades do mundo e se tornou uma das formas mais eficientes de saber o número de bicicletas disponíveis e em uso.

Publicações e ferramentas como essas permitem entender a dinâmica dos sistemas bikeshare e monitorar padrões de circulação, locais onde as bicicletas são mais utilizadas e horários de maior uso, gerando as informações necessários para um melhor planejamento. Os programas de compartilhamento de bicicleta estão fazendo hoje pelos centros das cidades o que o transporte coletivo fez pelas áreas periféricas – conectando pessoas e destinos, facilitando os deslocamentos diários e, assim, contribuindo para melhorar a qualidade de vida.