As sete características de uma estação BRT

Você já andou num sistema BRT (Bus Rapid Transit)?

Concebido no Brasil, o modal está presente em 194 cidades pelo mundo e vem se mostrando cada vez mais uma solução eficiente e de viável implantação. Ele difere do ônibus convencional por uma série de aspectos, como a operação em corredores exclusivos, a alta capacidade, o sistema de bilhetagem, a informação em tempo real e, em especial, a forma de acesso: a estação.

A estação é a porta de entrada do usuário para o sistema. Ela também reflete a identidade do serviço, tanto pelo design de destaque em meio à cidade quanto pelas facilidades que oferece em seu interior. Por isso, é um elemento chave: pode atrair ou afastar os clientes, tudo depende da maneira como é projetada e dimensionada.

Já prestou atenção às estações BRT? A partir de agora, na próxima ou primeira vez que você entrar em uma, pode pensar em sete elementos fundamentais que a compõem. Confira:

1. ACESSIBILIDADE UNIVERSAL

Sistema BRT de Curitiba. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

A acessibilidade universal é benéfica não apenas a pessoas com restrições de mobilidade, como a todos os usuários. Tanto a estação quanto seu entorno devem possibilitar que pessoas das mais variadas características físicas ingressem no sistema de forma autônoma, segura e simultânea. Sistemas de transporte acessíveis promovem a inclusão social e beneficiam a todos. Além dos equipamentos internos, vias, calçadas e faixas de pedestre que conduzam à estação também devem facilitar a locomoção e o acesso das pessoas.

2. AMENIDADES

BRT TransOeste, Rio de Janeiro. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Esperar pelo ônibus é chato. Mas algumas facilidades nas estações podem amenizar essa percepção de inconveniência. São consideradas amenidades itens como (i) sistemas de informação aos passageiros, (ii) serviços de conforto (lixeiras, bancos, climatização adequada, totens de recarga rápida, Wi-Fi) e (iii) sistemas de segurança (iluminação interna e externa, câmeras de segurança). Estes atributos oferecem uma experiência diferenciada na utilização do transporte coletivo. É importante destacar que além das amenidades voltadas aos passageiros, as instalações também devem prever conforto e segurança aos funcionários das estações.

3. INTERFACE ESTAÇÃO-VEÍCULO

BRT MOVE, em Belo Horizonte. (Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil)

É o conjunto de fatores que garante um embarque/desembarque seguro e eficiente para todos os passageiros. São eles: (i) embarque em nível, (ii) gap mínimo entre plataforma da estação e veículo, (iii) alinhamento entre as portas da estação e do veículo e (iv) extensão da cobertura da estação.

4. DIMENSIONAMENTO DAS ESTAÇÕES

BRT no Rio de Janeiro. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

A plataforma da estação deve ter capacidade suficiente para comportar os passageiros que aguardam o ônibus, bem como área de circulação que permita os fluxos de chegada e saída. Isso garante um nível de serviço básico para a espera e a circulação das pessoas nas estações.

5. INFRAESTRUTURA BÁSICA

Obras do Expresso DF, em Brasília. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

É importante que o processo construtivo das estações ande em paralelo com a infraestrutura de ligação e com a rede de água, esgoto e energia elétrica. Além disso, projetos voltados para uma construção sustentável, com cisternas que coletam a água da chuva para utilização nos banheiros e placas de captação de energia solar, podem ser incorporados às estações, de modo a reforçar ainda mais a sustentabilidade do sistema. Um projeto para a implantação de painéis fotovoltaicos em sistemas BRT, inclusive, venceu o Prêmio Jovem Cientista em 2011.

6. MATERIAIS CONSTRUTIVOS

Estação do TransOeste em construção, no Rio. (Foto: Prefeitura do Rio)

Utilizar materiais que inibam o vandalismo da estação auxiliam na preservação da boa imagem do sistema. Também são aspectos de segurança e podem reduzir custos onerosos de manutenção da infraestrutura da estação.

7. MANUTENÇÃO DAS ESTAÇÕES

Interior da estação do MOVE, em Belo Horizonte. (Foto: Luísa Zottis/EMBARQ Brasil)

A estação deve ser projetada para que sua manutenção seja prática. Estações com muitos itens a serem administrados acarretam manutenções mais complexas, caras e demoradas, que podem impactar também no valor da tarifa do sistema. Por isso, essa etapa deve ser considerada no projeto.

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CHECKLIST PARA CIDADES

Sistemas BRT estão em rápida expansão no Brasil. Para avaliar se as estações comportam as características essenciais, a pesquisa “Estações BRT: Análise Das Características E Componentes Para Sua Qualificação”, de autoria de Virginia Bergamaschi Tavares, engenheira de Transportes da EMBARQ Brasil, com orientação de Luis Antonio Lindau, diretor-presidente, e Guillermo Petzhold, engenheiro de Transportes da mesma organização, traz um instrumento de avaliação.

É o Checklist para Estações BRT que engloba uma série de critérios divididos em quatro módulos (acessibilidade, amenidades, interface estação-veículo e dimensionamento) e permite a avaliação tanto em estações já implementadas como estações em fase de projeto. Faça o download da pesquisa.

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Post coescrito por Luísa Zottis