Como o uso de dados abertos pode transformar as cidades do futuro

O crescimento exponencial da quantidade de dados disponíveis tanto para os cidadãos quanto para os tomadores de decisão, torna pontuais certos questionamentos acerca da forma que fazemos o uso dessas informações. É preciso partir da lógica de que vivemos, hoje, em dois mundos: o mundo físico e o mundo digital. É cada vez maior o número de iniciativas tecnológicas que transcendem a barreira para a realidade física. Computação na nuvem, big data, e dados abertos fornecem às cidades novas perspectivas para melhorar a integração e eficiência de seus serviços. O uso adequado de tais ferramentas permite que as comunidades tenham mais interação direta com suas cidades e governanças.

Cidades, dados abertos e transparência

“Todos podem ajudar na tomada de decisões que impactam resultados chave da cidade, tais como a resiliência econômica e crescimento, qualidade de vida, bem-estar e sustentabilidade ambiental” é o que diz Colin Bichernall, Gerente do Programa Open Glasgow e palestrante do Congresso Internacional Cidades & Transportes.

Colin e sua equipe acreditam que a cidade é feita pelas pessoas; tanto na tomada de decisões como no aspecto criativo. Glasgow é a maior cidade da Escócia e a terceira maior do Reino Unido. Há alguns anos, a cidade venceu um concurso com outros 29 municípios e ganhou um financiamento de 24 milhões de libras para implementar o programa Open Glasgow, parte do Glasgow Future Cities (GFC), um projeto que intenciona colocar os habitantes da cidade na linha de frente da integração e inovação tecnológica.

O programa vê cada habitante como um denominador comum do caráter e da história da cidade. Hoje, invariavelmente, todos os resultados da atividade humana e do conhecimento são capturados através da Internet, dispositivos ou sensores. Para o Open Glasgow todos esses dados são matéria-prima.

Para melhorar a realidade sustentável da cidade, por exemplo, o programa mapeou os principais pontos de reciclagem e desenvolvedores de painéis solares fotovoltaicos. Dessa forma, usando dados abertos, desenvolveram um mapa de energia renovável com as principais informações para os cidadãos.

A ideia do gerente do programa, Colin Bichernall, passa por uma análise crua dos dados. Para ele, se temos as matérias-primas corretas, podemos criar coisas incríveis. Ter os dados abertos e saber aproveitá-los para beneficiar a própria cidade empodera os moradores e encoraja a criação de novas soluções para velhos problemas urbanos. O acesso à informação é primordial para que possamos transformá-la em ferramentas que tornem mais fácil a vida nos centros urbanos.

Apesar de as cidades já possuirem altas quantidades de dados, ainda não são totalmente aproveitados novas técnicas e mecanismos que permitam a utilização dessas informações de modo inovador. Colin Bichernall defende que para resolver os problemas urbanos, é preciso criar uma cultura open data, e usar ferramentas efetivas de aplicação dos dados que já existem, a fim de facilitar a rotina das pessoas.Algumas cidades já começaram a desenvolver maneiras inovadoras de usar os dados abertos

 

Os governos, grupos comunitários e indivíduos; todos têm (e produzem a todo momento) dados sobre as próprias cidades. Nos últimos anos passamos por uma mudança forte de cultura, pois muitos desses dados não eram disponíveis, mas agora estão todos sendo abertos, e proporcionando espaço para compartilhamento. Assim, a partir da experiência de uma pessoa muitos outros cidadãos podem se beneficiar.

De acordo com relatório da Cisco, em 2019 o tráfego online será equivalente a 64 vezes o volume de toda a internet em 2005. Imagine a quantidade de dados diários que usuários vão gerar. Para debater sobre o assunto que se tornará parte integrante de nossas realidades, o arquiteto de tecnologia da Future Cities e gerente do OpenGlasgow, Colin Birchenall, estará no Congresso Internacional Cidades & Transportes. para contar sobre sua experiência em arquitetura corporativa, arquitetura de dados e a estratégia de Tecnologia da Informação.

A mesa do painel Cidades, dados abertos e transparência, será composta, além de Colin, por Gustavo Maia, co-fundador do Colab, eleito o melhor aplicativo para questões urbanas do mundo pelo concurso AppMyCity, promovido pela New Cities Foundation em 2013; assim como Cesar Taurion, Fundador e CEO da Litteris Consulting; Nina Lualdi, Diretora de Iniciativas Transformacionais e investimentos estratégicos da CISCO no Brasil; e Alessandro Saraceni, Gerente de Programas da Transport Systems Catapult. A mesa será mediada por Ciro Biderman, Chefe de Gabinete da SPTRANS.