Papa discute combate ao aquecimento global

Por Ana Cristina Campos* Edição:Aécio Amado Fonte: Agência Brasil

(Foto: Solange Souza/FNP/PMPA)

O papa Francisco participou, no Vaticano, de um encontro com cerca de 70 prefeitos de várias cidades do mundo nesta terça-feira (21) e pediu que as autoridades tenham consciência “do problema da destruição do planeta que nós mesmos estamos levando adiante”. “Por que estou apelando aos prefeitos? Porque a consciência sobre a defesa do meio ambiente implica um trabalho que comece pelas periferias e caminhe em direção ao centro, até a consciência da humanidade”, disse o pontífice.

Os prefeitos de Belo Horizonte, Marcio Lacerda; de São Paulo, Fernando Haddad; do Rio de Janeiro, Eduardo Paes; de Salvador, ACM Neto; de Curitiba, Gustavo Fruet, e de Porto Alegre, José Fortunati, participaram do evento, promovido pela Academia Pontifícia das Ciências e das Ciências Sociais, que debateu, além dos problemas climáticos, os temas da escravidão e do tráfico de pessoas.

(Foto: Solange Souza/FNP/PMPA)

Segundo o Vaticano, a delegação de prefeitos brasileiros preparou uma carta relatando os principais desafios enfrentados pelos governos locais e pedindo à Organização das Nações Unidas (ONU) para que os reconheça como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade e do desenvolvimento humano. Na carta, os prefeitos propõem a transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento e que o repasse seja feito diretamente às cidades.

“A Santa Sé pode fazer um belo discurso nas Nações Unidas, mas se não partir de vocês, das grandes ou pequenas cidades, não haverá nenhuma mudança”, disse o papa aos prefeitos. Fancisco lembrou que é nas cidades que se desenvolvem os fenômenos da imigração e da pobreza, muitas vezes incentivados por uma migração causada pela desertificação do planeta e do aquecimento global.

O pontífice citou também a encíclica Laudato Si [Louvado seja] – Sobre o Cuidado da Casa Comum, apresentada no dia 18 de junho, voltada para os problemas do planeta, e ressaltou que ela é muito mais social do que apenas “verde” porque os humanos “não podem ser excluídos da cura do ambiente”.

Ao fim do encontro, todos os prefeitos e os representantes do Vaticano assinaram um documento em que pedem que as autoridades nacionais coloquem a questão ambiental no centro dos debates. Ressaltando a questão social, o documento cobra uma atitude de governos contra os grandes exploradores de recursos naturais e diz que a economia baseada em combustíveis fósseis “destrói a Terra e explora todos os pobres”.

O líder da Igreja Católica destacou ainda sua confiança em relação à Conferência sobre o Clima (COP21), que ocorrerá na França, em dezembro. “Tenho muita esperança que em Paris se chegue a um acordo fundamental, mas para isso é preciso que a ONU se envolva”, completou.

Outros líderes mundiais, como Bill de Blasio (Nova York), Karin Wanngard (Estocolmo), Anne Hidalgo (Paris) e Jerry Brown (Califórnia), estiveram presentes. O prefeito de Roma, Ignazio Marino, também compareceu.

Brown disse que é preciso tomar medidas imediatas “contra um futuro incerto”. O estado americano comandado por ele está passando por uma seca severa e decretou uma política rígida para restringir as emissões de carbono. “Existe um elemento de irreversibilidade que exige de nós imaginar lá na frente, e reagir. Mas, no meio desse problema, nós encontramos forte oposição e uma inércia cega, e essa oposição é muito bem financiada”, disse o governador.

No encontro, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou o plano de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na cidade em mais 40% nos próximos 15 anos.

*Com informações da Agência Ansa e colaboração de Aline Moraes