Nossa Cidade: cidades, transportes e a qualidade do ar

Edição Especial: Nossa Cidade + #CTBR2015

O projeto Nossa Cidade, do TheCityFix Brasil, explora questões importantes para a construção de cidades sustentáveis.

Mudanças Climáticas são um dos temas abordados no Congresso Internacional Cidades & Transportes. O encontro, nos dias 10 e 11 de setembro no Rio de Janeiro, reunirá gestores públicos e especialistas que desenvolvem projetos em temáticas-chave para moldar o futuro das nossas cidades – clima, mobilidade, segurança viária, governança, entre outros.

Até lá, o Nossa Cidade traz edições especiais para aprofundar o debate nestes importantes temas. Acompanhe!

 

Cidades, transportes e a qualidade do ar

3,7 milhões. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, esse é o número de pessoas que morrem a cada ano em decorrência da poluição atmosférica. Se essa média for mantida, 129,5 milhões de pessoas podem morrer vítimas de problemas causados pela poluição até 2050.

Os danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente pelas substâncias poluentes presentes no ar são cada vez mais intensos e recorrentes. Doenças respiratórias, acidificação da água, corrosão de materiais, perdas na biodiversidade e no rendimento das culturas agrícolas são apenas algumas das consequências mais diretas.

(Foto: Luciano Silva/Flickr)

Em 2012, 3,7 milhões de mortes prematuras foram atribuídas à poluição atmosférica em todo o mundo. Na cidade de São Paulo, conforme informações do Instituto Saúde e Sustentabilidade, o número de mortes associadas à poluição é três vezes maior do que o das causadas por acidentes de trânsito. Além da redução de um ano e meio na expectativa de vida, a capital paulista calcula um total de 7 mil mortes prematuras ao ano na região metropolitana e 4 mil na capital.

A poluição atmosférica está associada a problemas de saúde que podem variar desde pequenas alterações bioquímicas até dificuldade de respirar, tosse e agravamento de problemas cardíacos ou respiratórios preexistentes. O ar poluído tornou-se o maior risco ambiental à saúde no mundo, um desafio ambiental que impõe ações urgentes para reduzir as emissões, especialmente as provenientes do setor de transportes. A Netherlands Environment Agency (Agência Ambiental da Holanda) estima que, considerando a média atual de mortes anuais, até 2050 pelo menos 100 milhões de vidas poderiam ser salvas com medidas preventivas como o uso de carros de baixa emissão.

Ação imediata é imprescindível para reduzir as emissões e refrear as mudanças no clima

O IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) calcula que as emissões provenientes dos transportes devem dobrar até 2050. O setor aparece como um dos maiores emissores, com níveis de emissões que crescem mais rapidamente do que os de qualquer outra área. Para ter uma ideia, a motorização privada individual, responsável por menos de um terço das viagens realizadas em cidades globais, responde por 73% das emissões de gases poluentes.

Os altos níveis de emissões que potencializam as mudanças climáticas têm diversas origens geográficas, e o Brasil não escapa. No ranking dos maiores emissores do mundo, o país aparece em sétimo lugar. Nossas emissões mais que dobraram entre 1990 e 2013, sofrendo um aumento de 130%. Só em 2013, o Brasil emitiu 481 milhões de toneladas de CO₂ – 2,4 toneladas por habitante. E, também aqui, chama a atenção a parcela de emissões dos transportes: no Brasil, o setor foi responsável por 46,9% das emissões de CO₂ associadas à matriz energética em 2014.

Daí o papel chave ocupado pelo setor no combate às mudanças climáticas: a partir da redução de emissões, visando a melhorar a qualidade do ar nas cidades. E é nas cidades que essa mudança precisa acontecer. Responsáveis por 70% das emissões de gases do efeito estufa, os centros urbanos têm a oportunidade de mudar os paradigmas do desenvolvimento, implementando medidas destinadas a incentivar os modais sustentáveis e não motorizados e, assim, contribuindo para reduzir uma das principais causas das mudanças no clima.

Esse caminho começa a ser percorrido no momento que as cidades começam também a repensar seus padrões de crescimento, agindo a fim de promover a densificação e o uso misto do solo e de estimular o crescimento urbano a partir das diretrizes apontadas pelo desenvolvimento orientando pelo transporte sustentável. Com foco na construção de comunidades compactas, com diversidade de usos, serviços e espaços públicos, e que favoreçam a mobilidade o desenvolvimento econômico sustentáveis, o planejamento urbano pode ser catalisador de grandes mudanças e promover o crescimento aliado à sustentabilidade.

Os desafios para concretizar essa mudança são muitos. São as decisões tomadas hoje, porém, que irão determinar o futuro do clima em todo o mundo. Reduzir os impactos negativos dos transportes na saúde e na qualidade do ar é imperativo para que, no futuro, possamos viver – e respirar – melhor.