Friday Fun: veículos autodirigíveis podem solucionar a segurança viária?

Carros sem motorista têm potencial para complementar segurança nas vias de cidades como Singapura. (Foto: Scania Group/Flickr)

A cada ano, milhões de pessoas morrem em acidentes de trânsito pelo mundo. À medida que gestores públicos tomam providências para melhorar o cenário globalmente, alguns inovadores começaram a lidar com uma das maiores causas dos acidentes – as falhas humanas, ao explorar tecnologias autodirigíveis. Como é o exemplo dos carros, emergindo de laboratórios em fase de testes nas vias, chamando cada vez mais atenção para seu potencial de mitigar colisões. Aliás, uma conferência global sobre segurança viária, a Towards Zero 2015, que começa hoje, vai abordar dentre seus temas o transporte automatizado.

Embora a tecnologia esteja em aprimoramento, alguns céticos ainda têm dúvidas com relação a isso. Por um lado, autodirigíveis não são capazes de corrigir erros de outros usuários da via, como os pedestres, ciclistas e motociclistas. Além disso, o erro humano não é a única causa dos acidentes. Fatores externos também contribuem com eles. Desenho urbano, condições de tráfego, placas e sinalização, condições climáticas – todos têm influencia sobre o comportamento na via. É difícil eliminar os erros por completo, não importa quão avançada a tecnologia seja.

Para lançar luz ao tema, vamos dar uma olhada sobre o atual status dessa tecnologia:

Amenizando erros na via

O primeiro carro autodirigível foi prototipado nos anos 80 pela Universidade Carnegie Mellon. Desde então, companhias automobilísticas, a indústria da tecnologia de informação, bem como o setor acadêmico aumentaram o interesse por essas tecnologias. Embora a maioria desses veículos esteja em fase de prototipagem de design, algumas cidades nos Estados Unidos, Austrália e Europa aprovaram legislações para permitir testes em vias reais.

Essas tecnologias são criadas para reduzir o erro ao substituir a percepção e o julgamento humano por sensores e sistemas de computador. Tipicamente, esses carros são equipados por radar, GPS, câmeras e inteligência artificial. Por exemplo, os carros autodirigíveis do Google, que entraram em testes em 2012, são equipados por radares a laser que podem gerar mapas detalhados dos arredores. O computador então combina esses mapas gerados localmente com mapas já existentes em alta resolução para modelar uma rota, permitindo ao carro autodirigir-se.

Assista ao vídeo de um carro autodirigível do Google em ação:

Uma vez que carros autodirigíveis podem teoricamente “enxergar” todo o cenário dos arredores, a ideia é que eles possam dirigir de forma mais eficiente e segura. Eles não bebem ou adormecem – duas causas comuns de colisões. Além de melhorar a segurança, alguns de seus defensores alegam que também poderiam reduzir congestionamentos, reduzir emissões e tornar as viagens mais confortáveis.

Esses veículos também se enquadram em sistemas inteligentes de transportes. Entre eles, sistemas de comunicação veículo-a-veículo (V2V) e veículo-infraestrutura (V2I), que permitem que carros emitam e recebam informação sobre carros próximos ou na via, sinais de trânsito ou velocidade, e assim se comportam de acordo com o contexto. Pra ter uma ideia, pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, estão desenvolvendo interseções inteligentes sem a presença de semáforos ou placas de pare, mas que se comunicam diretamente com cada veículo.

Companhias automobilísticas ambiciosas também fizeram planos para investir nessas tecnologias. Tanto a Mercedes quanto a Volvo pretendem pilotar carros totalmente automatizados e “crash-free”, ou livres de colisão, até 2020. GM, Audi e BMW também esperam vender esses veículos pelo menos parcialmente automatizados até a mesma data. Daimler, o segundo maior manufatureiro de caminhões do mundo, está pilotando um caminhão autodirigível nos Estados Unidos. Ele dirige de forma autônoma em freeways, permitindo ao condutor verificar emails e relaxar no trânsito.

É importante lembrar, contudo, que esses testes são sempre em pequena escala e ambientes de baixas velocidades e tráfego ameno. Esses testes, além disso, não foram completamente autônomos: operadores estavam lá para agir em caso de emergências, que aconteceram – 23 carros do Google se envolveram em 11 pequenos acidentes em vias públicas.

Autodirigíveis como parte de um sistema mais seguro

A tecnologia autodirigível está moldando as discussões em segurança viária. Contudo, ainda já muita inovação a ser feita antes que esses carros sejam acessíveis e produzidos e adotados em escala global. Por isso, ainda é cedo para analisar o impacto desses veículos na segurança viária. Precisamos lembrar que eliminar mortes de trânsito e feridos requer sistemas de vias desenhadas para a segurança, bem como soluções tecnológicas complementares.

Originalmente publicado em inglês no TheCityFix.