Nossa Cidade: os olhos da rua

O projeto Nossa Cidade, do TheCityFix Brasil, explora questões importantes para a construção de cidades sustentáveis.

A cada mês um tema diferente.

Com a colaboração e a expertise dos especialistas da EMBARQ Brasil, as séries trazem artigos especiais sobre planejamento urbano, mobilidade sustentável, gênero, resiliência, entre outros temas essenciais para um desenvolvimento mais sustentável de nossas cidades.

 

 

Nossa Cidade: os olhos da rua 

As cidades não são apenas conjuntos de dados demográficos: são lugares ocupados pelas pessoas, sobre os quais elas desenvolvem percepções, nos quais vivem suas experiências cotidianas. Os espaços públicos são fundamentais para a dinâmica da vida nas cidades: são espaços de encontro, e as percepções que essas áreas despertam nas pessoas estão diretamente relacionadas com o papel que vão desempenhar dentro da cidade.

É a qualidade dos espaços públicos que vai determinar o uso que as pessoas farão deles, bem como as condições do ambiente em seu entorno: se acessíveis, atrativos e seguros, estimulam diversos usos, atraem as pessoas e se tornam locais que inspiram segurança. Em contrapartida, quando abandonados e descuidados, passam inevitavelmente por um processo de degradação, tornando-se ambientes em que as pessoas passam a ter medo de estar.

Essa relação foi estudada e explicada por Jane Jacobs, escritora e jornalista que desenvolveu o conceito de olhos da rua. Para Jacobs, o principal atributo de um centro urbano próspero é as pessoas se sentirem seguras e protegidas na rua, mesmo em meio a tantos desconhecidos.

A lógica é simples: quanto mais pessoas nas ruas, mais seguras elas se tornam. Os “olhos da rua” são as pessoas – a vigilância informal que exercem, voluntária ou involuntariamente, quando ocupam o ambiente urbano. Para que as pessoas transitem nas ruas e ocupem os espaços públicos, porém, a cidade precisa oferecer condições para que isso aconteça.

 

  • Espaço para caminhar

Calçadas amplas permitem que mais pessoas estejam na rua (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil | EMBARQ Brasil)

Ruas com alto fluxo de pedestres tendem a ser mais seguras (Foto: Robin Jaffray/Flickr)

 

  • Contato entre as edificações e a rua

Muros altos impedem a visão da rua, contribuindo para a falta de segurança (Foto: Daniel Lobo/Flickr)

O contato visual entre o interior das edificações e a rua aumenta a sensação se segurança e a circulação de pedestres (Foto: Max Bashirov/Flickr)

 

  • Espaços atrativos

Espaços públicos de qualidade são atrativos para as pessoas (Foto: Alejandro Castro/Flickr)

E quanto mais pessoas ocuparem esses espaços, mais seguros eles se tornam (Foto: Bee Collins/Flickr)

 

  • Iluminação

Iluminação eficiente e voltada para as pessoas facilita a ocupação dos espaços públicos também durante a noite, aumentando a segurança (Foto: Pete/Flickr)

 

Os olhos da rua abrem-se a partir de cada um desses elementos.

A segurança nas cidades, assim, não é somente uma questão de policiamento: está diretamente relacionada com a qualidade dos espaços públicos e de sua capacidade de atrair as pessoas para a rua, promovendo a ocupação e a utilização das áreas comuns da cidade.

Espaços públicos, como pessoas, não podem ser ilhas – isolados do ambiente ao redor. Espaços públicos têm a ver com gente, têm a ver com vida, têm a ver com trocas e encontros. A vitalidade das cidades está nas pessoas: para muito além das paredes que nos cercam, é na rua que a vida acontece – nos espaços públicos, que são a essência da vida urbana.