Em vez de vagas de garagem, vale transporte

(Foto: Oran Viriyincy/Flickr)

Uma medida para reduzir a dependência dos carros.

Até hoje, quando se fala em planejamento de condomínios residenciais, é comum que os projetos sejam pensados considerando um número mínimo de vagas de garagem para os moradores. Essa tendência, no entanto, começa a mudar na medida em que as cidades passam a procurar maneiras de desestimular tanto o uso do automóvel  quanto a construção de espaços exclusivos para eles. Sem falar nos custos: vagas de garagem aumentam o preço de casas e apartamentos, além de manter uma lógica que contribui para os congestionamentos.

Seattle, nos Estados Unidos, é uma das cidades que têm tomado providências para mudar essa situação. Há alguns anos, foi eliminada a norma que obrigava a existência de estacionamentos em novos prédios construídos no centro. Agora, uma nova medida, apresentada recentemente, pode levar essa política um passo adiante. A proposta é que, em vez de vagas de garagem, novos empreendimentos passem a oferecer aos moradores opções alternativas, como vale transporte ou a adesão a um programa de compartilhamento de bicicletas. A ideia é que, com o tempo, essa troca reduza a demanda por estacionamento e estimule um estilo de vida mais livre dos carros.

Graças a uma inciativa do estado de Washington para reduzir os deslocamentos de carro, hoje apenas 31% dos moradores de Seattle dirigem sozinhos para o trabalho (veja o gráfico abaixo). Se posto em prática, o novo programa de opções de transporte residencial ajudaria a cidade a chegar ainda mais perto de uma meta que já trabalha para alcançar.

Em paralelo ao incentivo a uma vida menos dependente dos carros, um dos principais benefícios do programa reside na questão financeira. Uma vez que a construção de estacionamentos nos prédios gera custos que podem chegar aos 50 mil dólares, os planejadores acreditam que economizar com isso pode resultar em economia também para os moradores, por meio de aluguéis ou taxas condominiais mais baratas.

As opções de mobilidade devem ser convenientes e disponíveis em todas as partes da cidade. Se não for assim, as pessoas não terão escolha e, se puderem, optarão pelo uso do carro, mesmo com os altos custos que isso implica, por conta do ganho de tempo. Essa é uma lógica que impacta a todos, mas principalmente as famílias de renda mais baixa. (Leia o documento na íntegra.)

A ideia é fazer com que os estacionamentos, além de não constarem como a única possibilidade nos prédios residenciais, sejam pensados de uma forma mais coletiva e de acordo com a real demanda – por exemplo, em garagens compartilhadas por moradores de mais de um prédio. Se o plano der certo, todos ganham.

(Fonte: CityLab)