Nas ruas de Nova York: vencedoras do Concurso 3 Estações têm visita guiada pelo NYC DOT

 

O espaço é das pessoas – Técnicos do NYC DOT contaram que a cidade foi completamente repaginada para privilegiar a circulação das pessoas sobre a dos carros nas ruas. (Foto: Marcelo Noah)

As boas práticas em mobilidade urbana sustentável implantadas em Nova York durante a gestão de Michael Bloomberg são referências mundiais e inspiração para as cidades pelo mundo que miram no desenvolvimento sustentável e eficiência do espaço. Agora, você já imaginou conhecer tudo isso de perto? E melhor, com uma visita guiada por quem é responsável por essas intervenções?

Foi o que as representantes das equipes vencedoras do Concurso 3 Estações, realizado por WRI Brasil | EMBARQ Brasil e USP Cidades, fizeram nessa quinta-feira (7) – é claro que o TheCityFix Brasil também esteve lá! A visita que começou no sul da ilha de Manhattan e se estendeu até a Fowler Square Plaza, em downtown Brooklyn, foi guiada pelos agentes do Departamento de Transportes de Nova York, o NYC DOT.

Na oportunidade, Sean Quinn, co-diretor da unidade de projetos para pedestres do NYC DOT apontou alguns exemplos de ações já concluídas pelas ruas do distrito financeiro de Manhattan. Segundo Quinn, a tendência das grandes cidades é cada vez mais privilegiar espaços destinados aos pedestres, investindo em melhorias no transporte público. Aumentar o perímetro dos passeios públicos é fundamental nessa transformação, “fazer das ruas lugares mais simpáticos encoraja as pessoas a usarem mais o transporte público”, comentou ele.

Essas conquistas em relação ao design urbano, porém, só estão sendo atingidas em Nova York por meio de ações práticas, baratas e de rápida execução. Disse Quinn, “os materiais são baratos (tinta, casos plásticos, cadeiras e mesas) e seu caráter temporário ajuda na compreensão de que a mudança que está em processo é algo positivo”.

Arquitetas representantes das equipes vencedoras do Concurso 3 Estações com Sean Quinn, do NYC DOT. Ele explicou o porquê das transformações na Big Apple e seus efeitos na vida dos habitantes. (Foto: Marcelo Noah)

Como todo processo de transformação urbana, contudo, nada disso seria possível sem a participação da comunidade. Essa foi a mensagem passada por Emily Weidenhof, diretora do programa para espaços públicos da cidade de Nova York, que recebeu o grupo brasileiro para uma apresentação no escritório central do NYC DOT. Nesse compromisso, ela falou sobre os projetos em andamento pela cidade. Após a conversa, Weindenhof acompanhou o grupo até o Brooklyn, onde puderam ver in loco os lugares mencionados.

Programas como o “We can walk”, onde a comunidade pode solicitar o fechamento de ruas para eventos nos finais de semana, tiveram um crescimento de mais de 80% neste ano de 2015 em relação ao ano passado. Outros projetos como o “City Bench”, que instalou mais de 800 bancos em vias públicas, tem como objetivo incentivar a população de terceira idade a sair às ruas. “Quando você sabe que poderá chegar ao seu destino sem o perigo de não encontrar apoio para descansar caso sinta a necessidade, fica mais fácil achar a coragem para dar o primeiro passo”, comenta Weidenhof.

O destaque dentre os programas, segundo a diretora, é sem dúvida o NYC Plaza. Em oito anos de projeto, 49 dos 71 espaços idealizados para a instalação de áreas de convivência já foram concluídos. “Descobrimos que muitas ruas antes abertas ao tráfego de automóveis só serviam para aumentar o congestionamento, fechá-las fez com que o trânsito fluísse melhor e com que as pessoas pudessem ocupar os passeios públicos com maior desenvoltura. Em conclusão, todos saem ganhando: motoristas, pedestres, o comércio, em suma, a cidade como um todo”, conclui Emily Weidenhof.

Emily Weidenhof apresentou medidas em prol dos pedestres e levou o grupo brasileiro a uma visita in loco pelos locais apresentados. (Foto: Marcelo Noah)

Também foram detalhados os procedimentos de implementação das plazas, que respeitam uma série de etapas. A primeira consiste em workshops promovidos em conjunto com a comunidade; depois organiza-se o que eles chamam de “one day event”, delimitando por um dia o espaço idealizado até então somente no papel; em seguida a plaza é desenhada com materiais baratos e ainda temporários até que seja finalmente, num espaço de até quatro anos, feita de forma permanente.

Na curva de aprendizados dos realizadores do projeto em Nova York, destaca-se a seguinte máxima: quanto mais simples e rápida a implementação de bons projetos, que fiquem como legado para as pessoas,  melhor.

O Concurso 3 Estações foi realizado pelo WRI Brasil | EMBARQ Brasil e USP Cidades, com patrocínio da Caterpillar e apoio da Plataforma Conexões do Rio Pinheiros. 

(Foto: Marcelo Noah)

(Foto: Marcelo Noah)

(Foto: Marcelo Noah)

(Foto: Marcelo Noah)

Confira a cobertura completa da viagem:

#Dia1: Concurso 3 Estações: arquitetos vencedores iniciam semana de aprendizados em Nova York
#Dia2: Concurso 3 Estações: uma visita ao Center For Active Design em NYC
#Dia3: Nas ruas de Nova York: vencedoras do Concurso 3 Estações têm visita guiada pelo NYC DOT
#Dia4: Concurso 3 Estações: uma imersão no Highline em NYC