As árvores são um bem comum?

A concentração de árvores no ambiente urbano é mais alta nas áreas de maior renda e etnia branca, descobre pesquisa. (Foto: Ulf Bodin)

Diversos estudos que analisam os impactos das árvores e da natureza no ambiente urbano têm conclusões extremamente positivas. As áreas verdes revitalizam o espaço urbano, melhoram a qualidade do ar e trazem até mais felicidade aos que vivem perto delas.

São ruas arborizadas, parques urbanos e praças com áreas verdes que, de fato, tornam a vida mais alegre. Mas será que estes ‘patrimônios’ são um bem comum ou um privilégio para poucos? Foi isso que o estudo Trees Grow on Money: Urban Tree Canopy Cover and Environmental Justice (Árvores nascem no dinheiro: cobertura urbana de árvores e justiça ambiental, em tradução livre), da Universidade Northern Kentucky, tentou responder – e conseguiu.

A equipe de pesquisadores cruzou dados relativos à cobertura do solo e informações do censo americano para descobrir se havia relação entre renda e etnia e presença de árvores no local de residência destas pessoas nas cidades de Baltimore, Los Angeles, Nova York, Philadelphia, Raleigh, Sacramento, and Washington, D.C.

Os resultados encontrados refletem a má distribuição do espaço verde nas cidades, mas, além disso, a correlação disto com a desigualdade social e étnica presente nos locais analisados. Em outras palavras, a concentração de árvores é maior nos bairros onde as pessoas têm maior renda e são brancas, em comparação com bairros de menor renda e com residentes negros ou hispânicos.

A comparação dos mapas abaixo ilustram as descobertas:

(Gráfico: Journal PLOS One)

É triste saber que desigualdade social não traz somente menos oportunidades, mas também menos áreas verdes e árvores – recursos naturais essenciais à qualidade de vida. Há que preservar e replantar o espaço urbano cada vez mais para que as próximas gerações tenham direito de desfrutar um espaço mais igualitário, justo e saudável.