Os desafios para a mobilidade de Florianópolis em debate

Capital catarinense quer dar passagem ao transporte sustentável. (Foto: Eduardo Beltrame)

Florianópolis tem a vocação para o transporte sustentável.

Exuberante por natureza, a cidade convida as pessoas a estarem nas ruas, praticarem esportes ao ar livre, e dar uma volta de bike. Porém, décadas de desenvolvimento desordenado levaram a capital catarinense a uma exaustão urbana refletida em quilométricos congestionamentos todos os dias. Este panorama foi trazido por Maurício Feijó, um dos coordenadores do PLAMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis, durante o Alinhamento Estratégico, realizado pela EMBARQ Brasil na capital catarinense. Cerca de 65 pessoas envolvidas – entre técnicos das diferentes secretarias, IPUF, UFSC, UDESC, IBGE e Caixa – participam do encontro que ocorre até amanhã para planejar as ações dos projetos de mobilidade urbana que já contam com R$ 750 milhões alocados, somando recursos do governo federal e a contrapartida do município.

Resultados do PLAMUS

O plano que completou um ano está sendo finalizado e apresenta soluções aos desafios mapeados por meio de pesquisas de campo e oficinas participativas com a população dos 13 municípios da região metropolitana: Anitápolis, Rancho Queimado, São Bonifácio, Angelina, Antônio Carlos, Águas Mornas, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz, Biguaçu, Governador Celso Ramos, São José, Palhoça e Florianópolis. A EMBARQ Brasil apoia a comunicação e as oficinas de participação social do PLAMUS.

De acordo com o estudo, 1,7 milhão de viagens são realizadas por dia na região metropolitana. Destas, 48% por automóvel ou motocicleta – índice bem superior à média nacional de 38% – 24% por transporte coletivo e 25% a pé ou bicicleta. Outros números que impactam são em relação ao aproveitamento do espaço na ponte que liga a ilha ao continente. 75% dos deslocamentos são feitos por carros, que ocupam 90% da capacidade da ponte, e 3% são por ônibus, que levam 10 mil pessoas por hora e ocupam apenas 1% da capacidade.

Feijó aponta achados do estudo. (Foto: Caio Barcellos)

“A mobilidade trata da relação da população com o meio urbano, que condiciona os deslocamentos. Essa é a chave da mobilidade, por isso temos que entender a complexidade da evolução da mancha urbana”, explica Feijó. A urbanização de Florianópolis teve relação direta com as rodovias construídas nas décadas de 70 e 80, o que tornou seu desenvolvimento disperso, com empregos distantes dos locais de moradia. Para mudar essa realidade congestionada, o PLAMUS aposta em pilares fundamentais: reestruturação do transporte coletivo, priorização dos modais não-motorizados e desenvolvimento orientado ao transporte. Durante o estudo, foram oferecidas oficinas de participação social para reunir a maior quantidade de impressões da população bem como passar os conceitos da mobilidade sustentável às organizações civis.

Terreno fértil para a mudança

Os secretários Dalmo Vieira Filho, de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rafael Hahne, de Obras, e Vinicius Cofferri, de Mobilidade Urbana, apresentaram, nesta manhã, um panorama atual da mobilidade da capital catarinense. A prefeitura pretende construir alternativas de transporte coletivo de qualidade e boas calçadas para incentivar trajetos a pé e o uso da bicicleta.

No total, estão previstos 70 km de corredores exclusivos ao ônibus nas regiões norte, sul e leste da ilha e também no continente, com R$ 411 milhões já alocados pela Caixa. Cofferri lembrou ainda que a cidade contará com o SAO – Sistema de Apoio à Operação, um controle de operação com tecnologia para gerenciar a operação, além de um Sistema de Informação ao Usuário através de aplicativo para smartphones com rotas, linhas que passam na região e horário dos ônibus.

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