E se as cidades fossem mapeadas com base na dificuldade de acesso aos lugares?

Até onde o ônibus pode te levar? Em San Francisco, um mapa interativo mostra a área de alcance do transporte coletivo na cidade, de 15 minutos a até uma hora e meia. (Foto: Carolina Naftali/Flickr)

Acesso à cidade. Na visão do planejador de transportes Chris Pangilinan, que recentemente deixou a Agência Municipal de Transportes de San Francisco para integrar a Autoridade de Trânsito de Nova York, esse é o produto oferecido pelas operadoras de transporte coletivo nas cidades. Não deslocamentos ou viagens, mas o acesso: ao trabalho, ao comércio, à sua casa – a qualquer lugar.

Graças, em parte, ao trabalho realizado por Pangilinan, San Francisco tem hoje um mapa interativo de acesso. A ferramenta indica as áreas da cidade aonde é possível chegar, de ônibus, trem ou caminhando, em um dado período de tempo a partir do ponto de localização escolhido. Ajustando as configurações, é possível perceber a diferença entre a área que pode ser acessada em dias bons, ruins ou regulares no que diz respeito à operação dos serviços de transporte.

A área de alcance, via transporte coletivo, em um dia de operação ruim, regular e ótima, respectivamente.

Embora tenha sido desenvolvido para uso interno da agência, o mapa se mostrou extremamente útil para os passageiros do transporte coletivo na cidade: com o botão reliability (confiabilidade), a ferramenta mostra a área que pode ser alcançada com um alto grau de certeza conforme o intervalo de tempo especificado. Na imagem abaixo, por exemplo, a parte em vermelho indica os destinos a que o usuário pode chegar em até 30 minutos, considerando os piores cenários de operação do sistema. As linhas amarelas, por sua vez, determinam a área incerta, permitindo que a pessoa se programe para sair mais cedo caso seu destino esteja nesses locais.

(Imagem: Interactive Transit Service Map of San Francisco/Reprodução)

A partir do mapa, é possível ver claramente até onde é possível chegar com o transporte coletivo, considerando intervalos de tempo relativamente curtos, em um bom dia de operação dos sistemas. O que leva à conclusão apontada por Pangilinan: operar bem um serviço de transportes está no mesmo patamar que a construção de um novo.

Quando acompanhada de outras variáveis, como a oferta de trabalhos ou a localização de serviços comerciais, a ferramenta torna-se ainda mais funcional. Nova York, por exemplo, partiu dessa premissa e criou um mapa interativo de oportunidades de trabalho, divididas por setor e disponíveis de acordo com o período de tempo de deslocamento e o modal escolhidos.

Mapas como os de San Francisco, baseados na área de alcance a partir de um dado ponto, colocam as cidades e a mobilidade aos nossos olhos de um jeito novo: menos interessado na velocidade que o transporte coletivo pode atingir do que nas oportunidades às quais permite o acesso.

(Fonte: CityLab, Washington Post)