Três cidades brasileiras vencem o Sustainable Transport Award 2015

Rio de Janeiro vem implantando boas práticas em transporte sustentável. Cidade está entre as vencedoras do Sustainable Transportation Award 2015. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

O Sustainable Transport Award 2015 (STA) anunciou, em cerimônia em Washington DC na noite de terça-feira (13), pela primeira vez, três cidades vencedoras! E o melhor: são todas brasileiras. O prêmio é concedido a normalmente um só município com projetos inovadores e de destaque no campo do transporte sustentável durante o último ano. Parabéns Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo!

O STA é uma realização do ITDP – Institute for Transportation and Development Policy em parceria com o Comitê Diretor do Sustainable Transport Award, do qual a EMBARQ faz parte. Ele é concedido anualmente, desde 2005, e os projetos premiados devem melhorar a mobilidade para todos os cidadãos, reduzir a emissão de gases do efeito estufa, bem como melhorar a segurança e o acesso de ciclistas e pedestres no espaço público. No ano passado, a cidade de Buenos Aires conquistou o prêmio.

É animador testemunhar a melhora do cenário brasileiro, que reflete boas práticas com potencial para inspirar e replicá-las a outras cidades. O reconhecimento internacional atesta a excelência do trabalho realizado e projeta desafios para que as cidades avancem ainda mais.

As outras cidades que concorreram ao STA 2015 foram Bhopal (Índia), Brasília (Brasil), Cape Town (África do Sul), Gurgaon (Índia), Hensinki (Finlândia), Iloili City (Filipinas), Milão (Itália), Surat (Índia) e Toluca (México).

Saiba mais sobre o trabalho realizado por cada uma das vencedoras:

BELO HORIZONTE

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. A foto abaixo, da região central da capital mineira, endossa o ditado e prova que, com força política e trabalho sério, as cidades podem tornar-se lugares mais agradáveis, seguros e humanos.

Com o BRT MOVE, Belo Horizonte transformou o ambiente urbano abrindo espaço para as pessoas e o transporte sustentável. Antes, nesta avenida circulavam somente veículos motorizados. Agora, há ciclovia, corredor de ônibus e calçadas para pedestres. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

À frente do seu tempo, Belo Horizonte foi o primeiro município brasileiro a desenvolver um plano de mobilidade alinhado à Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), o PlanMob-BH, que projeta ações para os próximos 20 anos. O Plano engloba mecanismos de empoderamento da população, como o Observatório da Mobilidade, pelo qual os cidadãos podem expressar suas demandas junto à gestão municipal.

O PlanMob-BH também projeta a ampliação do sistema de transportes e o desenvolvimento urbano sustentável, pois entre os grandes desafios reconhecidos pelo sexto maior município brasileiro está o aumento da taxa de motorização individual, que cresceu 7,3% em sete anos, ao passo que as viagens por transporte coletivo cresceram apenas 3,2%.

Em março de 2014, a capital mineira inaugurou o primeiro corredor do seu sistema BRT (Bus Rapid Transit), o MOVE. Ele foi desenvolvido ao longo de quatro anos, da concepção à inauguração, dentro das melhores práticas internacionais, tendo contado com apoio técnico da EMBARQ Brasil (produtora deste blog). Hoje, são 480 mil passageiros transportados diariamente em dois corredores, Cristiano Machado e Antonio Carlos. Com o sistema, o tempo médio de viagem foi reduzido em 40%. Mais um corredor ainda está em execução e, quando concluído, o MOVE totalizará 23,1 km de extensão e mais de 500 mil pessoas beneficiadas.

Além do BRT, o espaço urbano foi revitalizado ao redor do sistema com base no conceito do desenvolvimento orientado ao transporte. A cidade ganhou vida, as pessoas ganharam espaço e a economia local ganhou mais força. Além disso, a capital mineira prevê uma rede cicloviária de 320 km de ciclovias, dos quais 27 km já foram concluídos.

 

RIO DE JANEIRO

O Rio continua lindo, mas o cenário de hoje não é o mesmo de alguns anos atrás. Quem passa hoje pela capital mais congestionada do país pode testemunhar a transformação urbana que vem sendo realizada de forma gradual – nas ruas e nas pessoas.

Com um transporte coletivo de alta capacidade, 400 mil pessoas ganharam mais agilidade para se deslocar no Rio de Janeiro. Cidade vem transformando realidade urbana em prol das pessoas. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

A icônica cidade que recebe o abraço do Cristo Redentor conta hoje com uma rede de corredores BRT que beneficiam 400 mil cariocas que se deslocam de um canto a outro da cidade. Atualmente operam o TransOeste e o TransCarioca, que totalizam 95 km de vias dedicadas. Em operação completa, a rede BRT contará também com os corredores TransOlímpica e TransBrasil, os quais somarão cerca de um milhão de pessoas. A EMBARQ Brasil prestou apoio técnico na implantação do sistema e também realizou simulações em três corredores que foram decisivas para a escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 pelo Comitê Olímpico Internacional.

No ano que vem, a meta é prover o acesso de mais de 60% da população a uma rede completa de transporte coletivo, desde BRT, até sistemas sobre trilhos e VLT. Todos integrados através do Bilhete Único, cartão de pagamento eletrônico. É um importante passo para garantir mais igualdade social, com acesso a empregos, saúde, educação e lazer. Além do transporte coletivo, um importante ativo para a fórmula urbana da cidade são as redes cicloviárias e os bicicletários, com previsão de concluir 450 km de ciclovias até o ano que vem.

Além das obras estruturantes, a capital criou o Conselho Municipal de Transporte, um órgão deliberativo entre governo e sociedade civil a fim de elaborar diretrizes para política de mobilidade, analisar e propor medidas de concretização das políticas públicas sobre transportes e fiscalizar a implantação dessas iniciativas.

 

SÃO PAULO

A combinação entre investimentos massivos na qualificação do transporte coletivo e do ambiente urbano e uma política de dados abertos colocaram São Paulo no rol das cidades globais que vêm trabalhando para se tornar mais eficientes e melhores para os residentes.

Política de dados abertos e qualificação do transporte coletivo posicionaram São Paulo no ranking do STA 2015. E quem se beneficia é a população. (Foto: Fabio Arantes/Prefeitura de São Paulo)

A grande inovação foi o MobiLab, laboratório em que empreendedores e pesquisadores criam soluções, aplicativos e tecnologias através dos dados para vencer os desafios de mobilidade da cidade. Ele não venceu o prêmio sozinho, mas trabalha em sinergia com cada um dos bons resultados que a cidade teve ao longo do ano.

A Operação Dá Licença para o Ônibus, que resultou em 320 km de vias dedicadas e no aumento médio de 21% na velocidade de operação do modal.  Foi uma medida – ainda em andamento – fundamental porque, apesar de a maioria dos deslocamentos na capital serem por transporte coletivo, usuários estavam sendo penalizados no tráfego misto. Com as faixas, os paulistanos ganharam 40,7 minutos por dia em 2014, o que corresponde a um saldo de 20 horas ao mês.

São Paulo também sancionou, em 2014, um novo Plano Diretor que reformou o modo de lidar com questões urbanas como a mobilidade. Ele deixa claro o papel dos sistemas de transporte coletivo para a transformação urbana através do desenvolvimento orientado ao transporte. O Plano estimula o uso misto do solo, calçadas largas, fachadas ativas em prédios e a desobrigação de garagens para novos empreendimentos, além de incentivos fiscais para a doação de terrenos para construção de corredores.

Investimentos em projetos de Gestão da Demanda de Viagens (GDV) também foram considerados pelo STA 2015. A EMBARQ Brasil já realizou seminários e um projeto-piloto para implantação de estratégias GDV na capital paulista. Saiba mais.

A expansão acelerada da rede cicloviária foi outro aspecto que fez com que São Paulo vencesse o Sustainable Transportation Awards. Com a meta de concluir 400 km ao final de 2015, a prefeitura vem implantando 10 km de ciclovias por semana, como nos contou o secretário de Transportes de São Paulo em entrevista exclusiva.