Os desafios de quem mora e trabalha em cidades diferentes

Deslocamento pendular: estima-se que 12% das pessoas empregadas no Brasil residam e trabalhem em cidades diferentes (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Por redação Mundo Carreira

Muitos brasileiros sabem que nem sempre é possível trabalhar perto de casa, mas tem gente que tem outro desafio no dia a dia: morar e trabalhar em cidades diferentes. Esse movimento é chamado de deslocamento pendular, ou seja, milhares de pessoas se deslocam diariamente de cidades vizinhas até grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o Censo 2010, estima-se que 12% das pessoas empregadas no Brasil residam e trabalhem em cidades diferentes.

Importante ressaltar que este movimento é diferente de uma migração populacional, quando uma região recebe pessoas de outros estados que fixam residência no local, como já aconteceu em São Paulo no século XX e também em Minas Gerais durante o ciclo do ouro. O deslocamento pendular é um fenômeno mais comum no sudeste brasileiro, justamente por contar com as principais capitais geradoras de postos de trabalho.

Dois fatores que influem no fenômeno são o custo e a qualidade de vida dos grandes centros urbanos. Muitas vezes, as pessoas preferem evitar mudanças e residir em cidades vizinhas em lugar de comprar ou alugar um imóvel nas capitais, por exemplo. O alto valor das casas e apartamentos, somado à qualidade de vida em uma cidade sem trânsito pesado e com índices menores de violência, são fortes indicadores que favorecem o deslocamento pendular.

TRÂNSITO

As grandes cidades já sofrem com problemas crônicos de trânsito, e a situação fica ainda mais grave nos horários de pico devido ao deslocamento pendular de pessoas das cidades vizinhas. Para se ter uma ideia do contingente de pessoas que chega aos grandes centros urbanos, em São Paulo (SP) é possível contabilizar trabalhadores de 39 cidades metropolitanas. Somente do ABC, o número chega a 550 mil pessoas em trens e ônibus, segundo dados da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos).

Além dos trabalhadores que utilizam transporte público, existem também quem vai de carro ao trabalho. Rodovias paulistas como Via Dutra, Ayrton Senna e Imigrantes, por exemplo, diariamente sofrem com congestionamentos quilométricos e que acabam refletindo também nas vias de dentro da cidade, como as marginais Pinheiros e Tietê. Muitas pessoas levam mais de uma hora para chegar ao local de trabalho, em alguns casos até três horas, o que gera estresse e desgaste físico e mental antes mesmo do início do expediente.

Os reflexos do trânsito provocado pelo acúmulo de carros e ônibus resultam em outo dilema que funcionários e patrões conhecem muito bem: atrasos. São raros os dias em que o trabalhador consegue chegar no horário combinado em seu escritório ou fábrica, e já existem até empresas que concedem uma tolerância maior a pessoas que moram e trabalham em cidades diferentes justamente para não desmotivar o funcionário.

ACORDAR (BEM) CEDO E CHEGAR TARDE

Outro ponto negativo de quem mora e trabalha em cidades diferentes é o cansaço provocado pela rotina de sempre ter que acordar muito cedo e chegar em casa tarde da noite. Em muitos casos, a pessoa que tem que cumprir um horário das 8h às 17h, por exemplo, precisa acordar às cinco da manhã ou até mais cedo para se arrumar, tomar café da manhã, sair de casa e pegar o ônibus ou encarar o trânsito de carro.

Para não desanimar o funcionário e valorizar sua produtividade, muitas empresas adotam a estratégia de oferecer um ou mais dias de home-office, permitindo que o profissional desempenhe suas funções sem sair de casa. Para tal, é preciso que a pessoa assuma o compromisso e arque com as responsabilidades de entregar projetos, cumprir prazos e estar disponível para atendimento durante a jornada normal de oito horas/dia.

O fato de que verdadeiras populações se deslocam diariamente entre cidades é praticamente irreversível, e esses fluxos são significativos em determinadas áreas, tornando-se cada vez mais comuns nas grandes cidades.