E se não precisássemos de carros nas maiores cidades do mundo?

Helsinki, Finlândia, anunciou planos ambiciosos para eliminar a necessidade do carro até 2025, ao explorar uma série de possibilidades para o futuro da mobilidade urbana sustentável. (Foto: Katri Niemi/Flickr)

Originalmente publicado por Tina Duong no TheCityFix,

Essa pergunta é, ao mesmo tempo, sublime e ordinária, e está relacionada a um dos grandes desafios de sustentabilidade dos nossos tempos. Como ir de casa ao trabalho, à escola, ou ao mercado é bastante simples, mas se deslocar de forma confiável, acessível e sustentável para bilhões de pessoas é um desafio que a sociedade ainda não resolveu.

Muito já foi feito para colocar o desenvolvimento urbano num caminho mais sustentável. Mas a urbanização está a todo vapor e vai levar 1,4 bilhões de pessoas às cidades nos próximos 20 anos. A ambição global em agir também está em ascensão. A necessidade e a demanda por soluções estão ultrapassando o que está atualmente em oferta. É hora de tentar algo diferente.

Um design-thinking centrado nas pessoas é uma abordagem promissora. Ele pensa nas necessidades das pessoas, na utilização criativa de recursos, e os requisitos para o sucesso do negócio. A rede EMBARQ , produtora do TheCityFix, está atenta a como essa abordagem pode ser utilizada na transformação da mobilidade urbana. Ao longo dos próximos meses, vamos levá-lo para essa viagem.

MOBILIDADE SUSTENTÁVEL JÁ PERCORREU UM LONGO CAMINHO

Os profissionais de transporte sustentável, defensores e formuladores de políticas têm feito progressos incríveis. Alguns dos exemplos notáveis incluem:

– O Bus Rapid Transit (BRT) se espalhou para 186 cidades, atendendo cerca de 32 milhões de pessoas por dia. Grande parte desse crescimento ocorreu na última década

Gráfico: EMBARQ

– O compartilhamento de carros se proliferou e a adesão ao serviço cresceu cinco vezes entre 2006 e 2012 para 1,8 milhão de membros;

– Mais de 600 cidades têm programas de compartilhamento de bicicleta;

– Ruas sem carro são a última moda, desde o Dia Sem Carro da Índia, o Raahgiri Days, a 295 pedestrian streets em Istambul, até o movimento da cidade sem carro em Helsinki’s;

– Campanhas para inspirar ação estão mais acessíveis, como o da Comissão Europeia “Do the Right Mix” (veja o vídeo), ou a iniciativa Designed to Move;

O impacto dessas soluções é inegável. Enquanto não há uma medida única que resuma os benefícios globais desses avanços, o próprio impacto da rede EMBARQ em ajudar as cidades a descobrir os benefícios da mobilidade sustentável conta parte da história.

AS APOSTAS ESTÃO CRESCENDO

Hoje, mais da metade da população mundial vive em cidades. Em 2050, no entanto, a população mundial está estimada para atingir os 9,6 bilhões de pessoas, 66% delas vivendo em áreas urbanas. Este rápido crescimento significa que precisamos fazer mais, mais rápido.

Felizmente, os líderes mundiais estão se alinhando para ajudar. Pela primeira vez, as cidades são uma área de foco nas Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDGs). Os líderes municipais tiveram um papel-chave na recente Cúpula do Clima em Nova York. Redes e alianças são abundantes para atender às necessidades das cidades para infraestrutura de financiamento, compartilhamento de conhecimento, agendas de ação comum e tecnologia transformadora.

PLANEJE COM AS PESSOAS EM MENTE

Nós podemos tanto esperar que a mudança aconteça, ou então criar mudança através do planejamento. Mas como encontrar o “próximo BRT” ou o “próximo sistema de compartilhamento de carros”? A chave é fazer a pergunta certa para o grupo certo de pessoas.

Essa é a essência do design centrado no ser humano.

Durante anos, as empresas têm usado o design para criar novos produtos, mercados e serviços – desde o mouse do computador até o banco móvel na África rural. Tudo começa com uma compreensão profunda e empática das necessidades e experiências dos usuários, sintetizando a descoberta para idealizar, fazer um protótipo, e realizar testes antes da execução.

Tomemos como exemplo o Amtrak, serviço americano de trem de passageiros. O Amtrak queria melhorar a experiência dos clientes na rota Acela, entre as cidades de Washington e Nova York. A empresa começou a olhar pelo trem, mas na verdade descobriu que a experiência do passageiro começava muito antes de entrar no veículo. De dez passos para embarcar num trem, oito acontecem fora dele. O design centrado nas pessoas foi a chave para identificar oportunidades  de melhorar a experiência em geral.

Outro aspecto importante da abordagem do design está em falhar cedo. Isso significa mover as ideias do papel para o mundo real o mais rápido possível para que o aprendizado possa ocorrer tão rápido quanto. O mouse de computador é um exemplo: ele não nasceu num laboratório de pesquisa e desenvolvimento, e sim a partir de um escudo plástico de brinquedo, um fio de guitarra, rodinhas de brinquedo, a tampa de um vidro de geleia, e um pouco de cera.

Esta abordagem também tem sido feita com sucesso para a inovação social. O governo japonês exemplifica isso. Para engajar seus cidadãos com metas de emissões estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto, ao invés de lançar ordens, o governo contratou a Hakuhodo, uma agência de design, que identificou uma área de atuação: temperatura dos prédios comerciais, pois a temperatura era fria o suficiente para que os homens usassem ternos. A resposta foi, então, a campanha “Cool Biz”, que tornou culturalmente aceitável trajes casuais no verão, sem terno. Como resultado, 25 mil escritórios aderiram e assinaram compromisso de usar menos energia, consequentemente reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

O QUE O DESIGN CENTRADO NO SER HUMANO PODE FAZER PELO TRANSPORTE SUSTENTÁVEL?

A EMBARQ está buscando essa resposta. No início deste mês, começou a trabalhar, no início deste mês, com a agência de design IDEO.

Durante oito semanas, uma equipe de especialistas da IDEO e da EMBARQ vão conduzir pesquisas decampo em Helsinki e na Cidade do México, para ir a São Francisco participar de um workshop com os “pioneiros”, pessoas com experiência e paixão por ideias pioneiras, incluindo filantropos, capitalistas de risco, banqueiros, especialistas em tecnologia, operadores de telecomunicação, profissionais de marketing e, sim, até mesmo montadoras de automóveis. A IDEO, então, continuará idealizando em paz. Esta jornada não vai acabar, mas conduzir a um novo início com um conjunto de modelos e protótipos para trazer ao mundo.

Mais do que seguir este processo no TheCityFix, esperamos que você participe! Comente com ideias geniais das quais você já ouviu falar, já viu, ou já teve sobre como o design foi utilizado para solucionar alguma questão interessante.

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Agradecimentos: O projeto da EMBARQ com a IDEO é subscrita pelo Sr. Carlos Rodriguez Pastor e pela William and Flora Hewlett Foundation, com apoio adicional da General Motors e TransitCenter. A oficina de design San Francisco é coorganizada em parceria com o Global Philanthropy Forum e a Northern California Grantmakers Association.