Ação climática no setor de transportes é chave para reduzir as emissões mundiais

Originalmente publicado em inglês por   e  no TheCityFix.

(Foto: Samuel Yoo/Flickr)

A ação climática muitas vezes se concentra em energia e atividade industrial, mas o setor de transportes deve ser somado aos esforços para manter o aquecimento global distante do perigoso cenário de dois graus. Os transportes são responsáveis por 22% dos gases de efeito estufa relacionadas à energia em todo o mundo, e suas emissões estão crescendo a um passo mais rápido do que as de qualquer outro setor.

A infraestrutura de transportes pedura por décadas, então as decisões locais e nacionais que os governos fazem hoje terão impactos duradouros sobre o desenvolvimento urbano e o clima. É importante agir agora: ações para reduzir as emissões de transporte são urgentes e requerem compromissos a longo prazo. Sabemos que precisamos evitar-mudar e melhorar – evitar viagens motorizadas desnecessárias, mudar as viagens para o modo de transporte mais sustentável, e melhorar as tecnologias e sistemas existentes. Mas permanece a necessidade de um sinal político forte para direcionar as forças de mercado a um caminho de desenvolvimento sustentável e de baixo carbono.

Nesta semana, na Cúpula do Clima da ONU em Nova York – a UN Climate Summit, líderes de empresas, governos nacionais e as cidades se reunirão para discutir ações ousadas para enfrentar a mudança climática em vários setores, incluindo o transporte. E enquanto a mudança climática é um desafio internacional, a ação climática no setor dos transportes comprovadamente gera benefícios significativos e imediatos de desenvolvimento nos níveis nacional e local.

A ação climática no setor dos transportes é uma oportunidade importante para demonstrar como a agenda do desenvolvimento sustentável e da agenda de clima podem estar alinhados em apoio ao crescimento das economias emergentes.

Por que líderes mundiais deveriam se preocupar com o transporte?

Alternativas de baixo carbono podem ajudar a alcançar os objetivos de desenvolvimento local e nacional, criando uma série de benefícios para o desenvolvimento econômico e social, além de reduzir as emissões. Esses benefícios locais incluem a melhoria da qualidade do ar, ruas mais seguras e a redução da pobreza.

Poluição do ar foi associada a 3,7 milhões de mortes prematuras em 2012, e a queima de combustível em veículos a motor é responsável por até 75% da poluição do ar urbano. Melhorar as tecnologias de combustíveis e fazer com que pessoas adotemo modais mais sustentáveis, como transporte público, caminhada e pedalada podem tanto melhorar a qualidade do ar como reduzir emissões de carbono.

Pequim, por exemplo, restringiu fortemente a circulação de carros quando sediou os Jogos Olímpicos de 2008, com os residentes contanto com a bicicleta e o transporte público. Estes esforços não só reduziram as emissões de CO2 entre 26.500 e 106.000 toneladas por dia durante o evento, mas também culminaram na redução de 50% de consultas médicas relacionados à asma e numa redução de 31% na produção de partículas PM2.5, um dos principais culpados pelas doenças respiratórias.

A redução das emissões no setor dos transportes urbanos também pode criar bons empregos e  fortalecer as economias locais. Considere Bogotá, Colômbia, onde o TransMilenio , o sistema BRT (Bus Rapid Transit) da cidade reduziu as emissões de transporte por quase 250 mil toneladas de CO2 a cada ano desde 2000, contribuindo para um ganho líquido de 1.900 a 2.900 postos de trabalho permanentes.

Como os líderes mundiais podem alcançar a ação climática no transporte?

Mesmo que existam soluções comprovadas para reduzir as emissões do setor dos transportes, as quais exigem mudanças políticas e aportes financeiros para priorizar projetos de transporte sustentáveis e de baixo carbono. As prioridades do orçamento público, historicamente, beneficiam os veículos pessoais, enquanto o setor privado tem investido em sistemas de transporte. O investimento global de transporte atualmente gira em médias entre US$ 1,4 e US$ 2,1 trilhões por ano, mas a maior parte desses recursos vai para projetos de transporte intensivos em carbono.

O financiamento climático internacional está disponível para financiar projetos “verdes” – as previsões de financiamento climático global, que cobre todos os setores, totalizam US$ 359 bilhões. Fontes públicas de financiamento do clima compreendem apenas cerca de um décimo de 1% do investimento global total no setor dos transportes. A fim de tornar o financiamento do clima verdadeiramente transformacional, estes fundos devem ser aumentados e utilizados de forma mais eficiente.

Os líderes devem estar abertos a políticas que viram a mesa contra a expansão urbana, planejando na direção oposta do desenvolvimento auto-centrado insustentável já emblemático de muitas partes do mundo desenvolvido. Uma dessas ferramentas é o desenvolvimento orientado pelo transporte (DOT), que os formuladores de políticas podem usar para combinar sistemas de transporte baixos de carbono com o desenvolvimento sustentável do território.

O México, por exemplo, promove comunidades urbanas compactas e combater o histórico de expansão do país através de incentivos financeiros para o desenvolvimento de infra-estrutura no núcleo urbano e não na periferia suburbana. Este tipo de apoio político, especialmente por meio do uso do solo, é necessário para acelerar a mudança em direção projetos de transporte “verdes”.

Preparando o terreno para uma ação ousada no setor dos transportes

A UN Climate Summit desta semana é um passo fundamental para uma série de eventos que irão determinar a forma como o mundo se depara com a mudança climática, culminando em 21 sessões na COP21 da ONU em Paris em dezembro de 2015.

Líderes dos setores público e privado tomarão “medidas ousadas [em Nova York] para reduzir as emissões de gases de efeito estufa relacionados com os transportes através da expansão do uso do transporte público, maior utilização do transporte ferroviário mais eficiente, bem como a introdução acelerada de transporte elétrico urbano.

Além das discussões de transporte oficiais no Summit, especialistas do WRI Ross Center for Sustainable Cities e do seu programa para transporte sustentável, EMBARQ, participarão de eventos paralelos focados no papel crescente do setor dos transportes na agenda climática e as ações inovadoras que cidades tomaram para se tornar mais sustentável.

Duas sessões durante os procedimentos oficiais da Cúpula abordarão a forma de alcançar o caminho para a baixa emissão de carbono e o desenvolvimento sustentável – com foco em cidades e transporte, respectivamente. Esperamos que os líderes da Cúpula do Clima reconheçam a necessidade urgente de um compromisso de longo prazo para desenvolver políticas e mudar o financiamento em direção a alternativas de transporte sustentável de baixo carbono. Juntos, eles vão reduzir as emissões, alcançar objetivos de desenvolvimento e apoiar a prosperidade econômica.