Em números: Como a mobilidade sustentável melhora saúde e segurança viária

Post originalmente publicado em inglês por Coby Joseph no TheCityFix

Ao apoiar o transporte ativo, planejadores podem limitar as colisões de trânsito e ajudar pessoas a incorporar a atividade física no deslocamento. (Foto: Shreyans Bhansali/Flickr)

A diretora de Saúde e Segurança Viária da rede EMBARQ, ClaudiaAdriazola, conversou com o jornalista David Thorpe, do Sustainable Cities Collective, sobre desafios, tendências e melhores práticas em transporte sustentável e segurança viária. Entre outros tópicos, eles falaram sobre a importância em tornar as vias e espaços públicos mais caminháveis e sobre promover as opções de transporte sustentável como o BRT (Bus Rapid Transit). Neste post você pode conferir alguns dos fatos mais marcantes da entrevista e assistir ao vídeo completo no fim dele.

50 milhões

É o número de pessoas gravemente feridas a cada ano em acidentes de trânsito; destas, 1,3 milhões morrem.

Uma estratégia que Claudia destaca para reduzir os acidentes de trânsito é um design da interseção que corresponda às necessidades do pedestre. Ao reduzir o número de vias e a distância entre os cruzamentos, planejadores urbanos podem estimular os motoristas a diminuir a velocidade, tornando as ruas mais seguras tanto para pedestres quanto carros. “Quando você mescla o uso do solo entre pedestres, ciclistas e carros, precisa que cuidar com os [usuários] mais vulneráveis”, disse.

4 milhões

É o número de pessoas que morrem todo ano devido à falta de atividade física.

O transporte ativo – especialmente a caminhada e a bicicleta – podem melhorar a saúde ao incentivar a atividade física. O uso do transporte público, como o BRT ou metrô também pode fazer com que pessoas incorporem a caminhada no deslocamento. Uma estratégia para reduzir congestionamentos também é a “pedestrianização” de espaços públicos, que também aumenta a segurança dos pedestres e ciclistas. Por exemplo, o fechamento de importantes vias de Istambul, na Turquia, trouxe aos residentes mais oportunidades à atividade física e aumentou o acesso a pé a outros modais de transporte coletivo.

695

É a redução aproximada de colisões de trânsito no BRT Macrobús, em Guadalajara (México), como resultado da via dedicada ao ônibus.

Antes da implantação do corredor de ônibus, eram cerca de 700 acidentes todo ano naquele trecho. Desde sua implementação, ocorreram cerca de cinco acidentes. Os corredores exclusivos para ônibus também são capazes de transportar mais pessoas. As duas faixas de anteriores, no tráfego misto, podiam carregar cerca de 3.000 pessoas por hora. Agora, o BRT sozinho pode carregar 5.000.

100

É o número de quilômetros do BRT na Cidade do México.

A Cidade do México está liderando uma mudança na direção do BRT que está se espalhando no país e no mundo todo. “Muitas delegações de outros países têm vindo à Cidade do México para ver o que aconteceu lá”, lembrou Adriazola.

181

É o número de cidades que implementaram algum tipo de priorização ao ônibus, como o sistema BRT ou faixas exclusivas, número que continua crescendo continuamente.

Mais de 31 milhões de pessoas já utilizam sistemas BRT em todo o mundo diariamente. Adriazola também explicou que os sistemas de transporte têm impactos significativos sobre o comportamento do condutor. “Se você tem uma cidade como Lima, onde está ficando preso no trânsito por duas ou três horas, você não vai querer perder o semáforo no amarelo, porque está entrando em desespero”. Ela emenda que “todo o nosso trabalho é um sistema”, e deve-se examinar “quais outros elementos estão contribuindo para este mau comportamento”. Por exemplo, projetar cidades mais compactas, com a melhoria do transporte de massa pode reduzir a necessidade de utilização do automóvel e a condução imprudente.

Deficiências nos design urbano e nos sistemas de transporte também culminam na maior utilização das motocicletas, grande preocupação na segurança viária. “Mais uma vez, temos de olhar para o que está acontecendo por trás de tudo isso. Há pessoas que moram muito longe de onde trabalham, os sistemas de transporte público não estão funcionando completamente, as distâncias são muito grandes, você não pode usar bicicleta e nem caminhar, e se pegar o ônibus vai levar três horas. Portanto, a solução é pegar a sua moto e ser algumas vezes imprudente”. Além disso, este é também o resultado de uma má política para motos. “Muitos países estão cometendo erros em prover subsídios para as motocicletas. As externalidades que vêm com elas são gigantescas”, frisou.

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Saiba mais sobre as interseções entre mobilidade sustentável, saúde e segurança viária na entrevista completa: