Como o design de interseções e de semáforos impactam o comportamento do pedestre

Publicado originalmente em inglês por  e  no TheCityFix.

Nova pesquisa da rede EMBARQ pode melhorar a compreensão sobre como planejar interseções mais seguras para pedestres. (Foto: NYCDOT/Flickr)

Pedestres atropelados ao atravessar no sinal vermelho estão 56% mais propensos a ficar gravemente feridos do que aqueles que cruzam no verde. Enquanto a travessia no vermelho para pedestres está frequentemente atrelada ao mau comportamento nas ruas, recente pesquisa da rede EMBARQ indica que ela também tem uma significativa relação com o desenho dos sinais e cruzamentos. De fato, sinais de trânsito complexos com longos tempos de espera para pedestres pode torna-los mais propensos a atravessar no vermelho.

Design ruim da interseção pode culminar em mais travessias no vermelho

No estudo mencionado, pesquisadores da EMBARQ coletaram dados de vídeos de pedestres atravessando no vermelho e desenvolveram um modelo estatístico para prever como projeto de interseção pode afetar esse tipo de comportamento. A principal constatação foi a de que cruzamentos com várias fases semafóricas e longos tempos de espera são associados a um maior percentual de pessoas que atravessam no vermelho. O gráfico abaixo mostra o percentual esperado de pedestres atravessando no vermelho com base no atraso de pedestres (tempo médio de espera) em três cruzamentos diferentes.

A espera em sinais longos pode levar pedestres a atravessar no sinal vermelho, colocando-os em risco. Fonte: Segurança no Trânsito em Sistemas de prioridade ao ônibus, em tradução livre, World Resources Institute.

Além da espera gerada, a configuração dos sinais de trânsito também impacta as escolhas dos pedestres em relação ao respeito à sinalização. É mais provável que os pedestres esperem pelo sinal verde caso o principal conflito seja com o tráfego de veículos na via, para seguir reto. A pesquisa mostrou que quando a configuração do sinal de tráfego se torna mais complexa, o respeito do pedestre diminui. Fases semafóricas específicas para conversão à esquerda, por exemplo, estão associadas à maior incidência de pedestres atravessando no vermelho.

A configuração física da faixa de pedestres também afeta a probabilidade de cruzamentos no vermelho. Os pedestres são mais dispostos a esperar o sinal verde em ruas com tráfego mais intenso. É interessante notar que, enquanto faixas de pedestres mais curtas estão relacionadas a mais travessias no vermelho, uma pesquisa também mostra que elas são mais seguras. Isso ilustra a complexidade da relação entre a segurança de pedestres e a conformidade dos sinais de pedestres: enquanto cruzar no vermelho é em geral mais arriscado, pedestres também são mais propensos a desobedecer os sinais em locais que têm mais recursos de segurança, como faixas de pedestres mais curtas.

Pensando no comportamento do pedestres ao projetar ruas

Interseções em áreas urbanas nem sempre são projetadas com as necessidades dos pedestres em mente; em vez disso, o foco é frequentemente o fluxo de veículos. Como resultado, pedestres enfrentam longos tempos de espera e configurações de trânsito complexas e difíceis de entender. Enquanto temos cautela em não tirar muitas conclusões baseadas em um único estudo, há inúmeras ideias de design urbano que podem ser extraídas desta pesquisa.

Talvez o ponto mais importante sobre estudo seja que, a fim de reduzir travessias no vermelho, os ciclos dos sinais deveriam ser o mais curto e simples possível. Adicionar fases semafóricas para movimentos de conversão ou a ampliação da fase para a passagem de veículos vão resultar tanto na demora da travessia dos pedestres quanto em configurações de sinalização mais complexas. Ambas as situações estão suscetíveis a resultar num maior percentual de pedestres atravessando no vermelho.

Do ponto de vista da segurança e acessibilidade dos pedestres, faixas de segurança mais curtas sempre deveriam ser preferência, uma vez que já mais evidência de segurança para o pedestre. A segurança é claramente um indicador de desempenho para a qualidade da infraestrutura de pedestres do que o cruzamento no vermelho. Contudo, os planejadores urbanos deveriam também estar cientes de que o estreitamento de uma via pode fazer com que pedestres não cumpram com o sinal, o que pode ser compensado com benefícios de segurança da redução da distância de travessia. Uma boa prática a partir dessa perspectiva pode o estreitamento de uma via com medidas de moderação de tráfego, tais como lombadas.