Direção inteligente para cidades mais eficientes

Post originalmente publicado em inglês por   e  no TheCityFix

Estratégias de demanda de viagens contribui para tornar o transporte coletivo mais viável e fácil, amenizando os congestionamentos e melhorando a qualidade de vida nas cidades. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Quanto mais carros na rua, mais desafios uma cidade enfrenta. Países em desenvolvimento como o México têm aumentado a posse do carro em 23% ao ano desde 1995. Com o aumento no número de viagens destes motoristas, há mais mortes nas estradas, congestionamentos, demora na viagem e poluição do ar. Apesar de todos estes riscos, a maioria das cidades são decididamente “carrocêntricas” e contam com veículos particulares para quase todos os deslocamentos urbanos, sejam eles a opção mais eficiente ou não.

Criar cidades mais seguras e sustentáveis significa projetá-las para mover pessoas, e não carros. Uma das maneiras de alcançar esta meta é a gestão da demanda de viagens.

O QUE É GESTÃO DE DEMANDA DE VIAGENS?

A gestão da demanda de viagens refere-se a um conjunto de estratégias que maximizam a mobilidade urbana ao limitar o uso desnecessário de carros particulares. Estas estratégias reconhecem que os carros sempre estarão presentes na cidade, por isso visam gerenciar seu uso, promovendo opções de transporte mais sustentáveis e integradas. Além disso, elas tornam as ruas mais seguras para todos – motoristas, ciclistas e pedestres.

Para chegar a qualquer lugar numa cidade, as pessoas decidem que modal utilizar, que rota pegar, e qual o caminho mais conveniente. A gestão da demanda de viagens concentra-se nestas necessidades adaptadas ao sistema de transportes da cidade, que fazem do transporte sustentável uma alternativa mais atraente.

CONSTRUINDO OPÇÕES DE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

Cidades orientadas pelo carro são dispersas e alastradas, dedicando espaço desproporcional para o carro em detrimento de outros meios de transporte. Mesmo com pistas de carona e esquemas de compartilhamento de carros, que utilizam o espaço viário de forma mais eficiente, os carros particulares ainda atrapalham as ruas. Na Cidade do México, por exemplo, os carros usam 50 vezes mais espaço viário para transportar a mesma quantidade de pessoas que o transporte coletivo, com base na ocupação média de 1.21 passageiros por carro.

Sem alternativas viáveis, contudo, as pessoas dispõem de poucas opções além do carro. Disponibilizar um transporte público que ligue as casas das pessoas às escolas ou aos centros de emprego pode tornar a viagem melhor e mais curta e reduzir o congestionamento, já que deslocamentos cotidianos representam quase 30% do tráfego total de carros das cidades norte-americanas.

Alternativas de mobilidade como a caminhada e a bicicleta são mais viáveis quando oportunidades de trabalho estão mais perto de áreas residenciais. Viagens motorizadas podem ser evitadas por opções de “home office”, por exemplo. Gráfico por EMBARQ.

INTEGRANDO O CARRO COM OUTRAS FORMAS DE TRANSPORTE

Os carros podem ser uma parte eficiente dos sistemas de transporte urbano, mas somente se integrados com modais mais sustentáveis, como BRT (Bus Rapid Transit), metrô e transporte ativo. Os passageiros podem facilmente ir a um estacionamento para pegar o transporte público ou ir a pé a seus destinos. Programas de estacionar e pegar o transporte coletivo ou caminhar provaram ser bem sucedidos em eventos como os Jogos Pan-Americanos de 2011 em Guadalajara, onde somente 10% do público estacionou fora do estádio principal.

PLANEJANDO RUAS MAIS SEGURAS

O design das ruas também é um fator chave. Cidades orientadas para os carros são projetadas para mover carros em alta velocidade. Enquanto isso torna o transporte motorizado conveniente, também aumenta o risco de colisões, inibe o acesso a outros modais e oferece risco à segurança de pedestres e ciclistas.

Um melhor desenho urbano pode minimizar os riscos de segurança viária e reduzir a velocidade dos carros sem prejudicar o fluxo. E os limites de velocidade funcionam: no centro de Nova York, o limite é 40 km/h, mais eficiente em termos de combustível e evita que 80% das colisões sejam fatais. Medidas de traffic calming também contribuem para ruas mais seguras, reduzindo as velocidades:

  • Estreitando pistas, cobrindo superfícies com pavimentação áspera e adicionando redutores de velocidade
  • Priorizando travessias de pedestres, alargando calçadas ou aumentando as superfícies da calçada nos cruzamentos
  • Implantando sinais de trânsito claros para todos os usuários da via

REGULANDO ESTACIONAMENTOS

Criar estacionamento barato e fácil estimula a demanda por carros. O estacionamento gratuito subsidia a direção e encoraja o desenvolvimento carrocêntrico, alimentando o congestionamento e os riscos à segurança viária. As cidades podem reduzir a dependência do carro ao:

  • Controlar os estacionamentos com base no uso do solo e nas e as alternativas de transporte disponíveis, em vez dos aumentos previstos na demanda de estacionamento
  • Fazer a cobrança de estacionamento para uso mais eficiente do espaço
  • Priorizar espaço para alternativas de transporte sustentáveis, como estações compartilhamento de carros, estacionamento para bicicletas, e pontos de ônibus

Estacionamentos podem ter melhor uso quando convertidos temporariamente em espaços produtivos, como mercados públicos, por exemplo. Gráfico por EMBARQ.

Cidades orientadas para pessoas reconhecem o carro como parte de uma estratégia maior de  mobilidade sustentável e devem, portanto, oferecer soluções para gerenciar seu uso de forma adequada. A gestão de demanda de viagens tem potencial para melhorar a qualidade de vida das populações urbanas, mas somente se os governos locais, planejadores urbanos e outros interessados utilizarem as estratégias em conjunto com outras estratégias de mobilidade urbana – de forma a complementarem-se.  No final, a cidade mais inteligente não é aquela que elimina os carros, mas aquela que o integra numa rede sustentável de opções de mobilidade urbana.