10 km de ciclovias por semana em SP

Ciclovia do Rio Pinheiros, na região empresarial da Av. Berrini em São Paulo, é uma alternativa para chegar ao trabalho. (Foto: Tiago Costa Nepomuceno/Flickr)

Por anos, o trânsito de São Paulo vem excedendo sua capacidade com as 26 milhões de viagens motorizadas que ocorrem diariamente, culminando em recordes de lentidão a cada dia. No caminho ao trabalho, o caos. Viagens intermináveis em meio a carros, motocicletas, táxis, ônibus, todos compartilhando o mesmo espaço. A poluição do ar fica acima do limite recomendado, e as crianças, com cada vez menos saúde.

Foi preciso entrar em colapso para que a capital paulista encontrasse a solução para os problemas que vem enfrentando.  Reconheceu na mobilidade urbana sustentável um ponto de partida e deu início à implantação de políticas e medidas em prol de uma cidade mais habitável. Como as faixas exclusivas para ônibus e a proibição da circulação de táxis nelas, por exemplo. Como toda mudança que contraria a tradição carrocêntrica do povo brasileiro, a operação Dá Licença para o Ônibus ainda não é unânime, embora 93% da população a aprovem.

Antes, com pouca ou nenhuma segurança para trafegar nas vias urbanas, os ciclistas também vêm conquistando cada vez mais espaço. A grande novidade é que a gestão municipal anunciou a implantação de 10 km de ciclovias por semana até o fim do ano. A meta é concluir à extensão de 200 km no período. Os carros perderam espaço, e a velocidade foi reduzida de 60 para 50 km/h em algumas vias.

Cada passo dado por São Paulo em direção ao transporte coletivo e não motorizado muito nos lembra da Nova York liderada pelo ex-prefeito Michael Bloomberg. Mesmo contrariado por grande parte da população, ele não apenas dedicou espaço ao transporte sustentável como reduziu em 40% as fatalidades de trânsito. Construiu 700 km de ciclovias e quadruplicou o número de ciclistas nas ruas. Também baniu os carros da Times Square e outras importantes avenidas, hoje tomadas por pessoas caminhando, aproveitando as atrações das ruas e consumindo mais graças ao espaço que as foi cedido.

O redesign de Nova York, em prol de uma mobilidade urbana mais sustentável e menos carrocêntrica, reduziu 40% das fatalidades de trânsito. (Foto: NYCStreets/Flickr)

NOVO PLANO DIRETOR REAFIRMA DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Os órgãos internacionais já reconhecem o papel do transporte sustentável nas nossas cidades como grandioso e urgente. Felizmente, o novo Plano Diretor da capital paulista também entende a mobilidade urbana como premissa para a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável.

Dentre outros fatores, o documento desestimula o uso do automóvel ao incentivar construções comerciais em níveis térreos, por exemplo, ao desobrigar a construção de garagem em edifícios e determinar como lei a implantação de bicicletários e ao incentivar benefícios fiscais para a construção de corredores de transporte. Além disso, 30% da verba advinda do Fundurb será investida em infraestrutura para o transporte coletivo, ciclovias e áreas de pedestres.

Saiba mais.