Estudo sobre transporte nas favelas é lançado em português

Estudo desenvolvido pela EMBARQ Brasil analisa o comportamento dos moradores de favelas do Rio em relação aos diferentes modais de transporte (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Há quase três anos, a EMBARQ Brasil (produtora deste blog) começou a trabalhar a mobilidade sustentável em favelas com parceiros na cidade do Rio de Janeiro. Cerca de um terço da população da capital carioca vive em assentamentos informais, e enquanto alguns estão muito bem localizados, em áreas centrais e próximas a oportunidades de trabalho e serviços, muitos outros ficam na periferia, a horas do centro da cidade. A prefeitura se comprometeu a fazer investimentos no setor de transportes, como parte dos legados da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. A cidade investiu em BRT e projetos de transporte para ligar as favelas ao sistema de transporte coletivo. O programa Morar Carioca trabalha significativamente para melhorar a acessibilidade nas favelas, em particular com a construção de novas vias.

Ainda assim, o trabalho com transporte em comunidades não tem uma base sólida de dados referentes ao comportamento dos moradores no que diz respeito ao uso dos transportes. Existe uma lacuna de dados sólidos sobre o uso dos diferentes modais de transporte nas favelas do Rio. A fim de firmar nosso trabalho na cidade, a EMBARQ Brasil se propôs a mudar isso. Com forte apoio do Lincoln Institute of Land Policy, uma organização de pesquisa e políticas de Cambridge (Estados Unidos), conduzimos um dos primeiros estudos sobre o uso dos meios de transporte nas favelas do Rio de Janeiro, intitulado Transportation in the Favelas of Rio de Janeiro. A publicação, que agora está disponível também em Português, foi realizada em colaboração com Luis Antonio Lindau, diretor-presidente da EMBARQ Brasil e professor da UFRGS, e Carlos David Nassi, da UFRJ.

Foram realizadas 2.000 entrevistas em três favelas na Zona Sul, na Zona Norte e na Zona Oeste, de acordo com a definição tipológica das favelas da Secretaria Municipal de Habitação. As entrevistas reuniram dados quantitativos referentes à posse de veículos e aos padrões diários de locomoção e dados qualitativos sobre a percepção dos moradores em relação à segurança viária.

Dentro das favelas, a maioria utiliza os meios não motorizados de transporte, como bicicletas e caminhadas (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Os resultados da pesquisa foram apresentados para acadêmicos na Guatemala, em  congresso sustentável internacional na Cidade do México e para representantes da Prefeitura do Rio. O estudo revelou uma dependência expressiva de trajetos a pé e de meios não motorizados dentro das favelas, taxas mais elevadas de posse de veículos do que mostraram iniciativas anteriores, e a percepção dos moradores de que as ruas tendem a ser mais seguras dentro das favelas do que fora delas. Saiba mais.