São Paulo prestes a ter obras de terceira linha de monotrilho

O monotrilho é a grande aposta do governo estadual paulista para tirar o atraso de obras metroferroviárias. Dois ramais estão em construção, e uma terceira linha terá o contrato de concessão assinado nos próximos dias: a Linha 18-Bronze, que vai ligar a estação Tamanduateí, zona sudeste de São Paulo, até o município de São Bernardo do Campo, passando por São Caetano e Santo André, na região metropolitana da capital.

A obra será bancada em parte pela iniciativa privada, em parte pelo governo, sendo que Estado e União participam do projeto. Ficará a cargo da concessionária construir o ramal, comprar sistemas e materiais rodantes e operar a linha por um determinado período, em regime de Parceira Público-Privada (PPP).

Existem controvérsias sobre a escolha do modal. Segundo o pesquisador Adalberto Maluf Filho, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), que escreveu sua tese de mestrado sobre monotrilhos, os sistemas de Dubai, Las Vegas e Johannesburgo fracassaram em sua implantação. Em Dubai, por exemplo, ficou para o bolso do governo cobrir o prejuízo do sistema, com menos passageiros que o esperado. Há quem diga também que o modal é negativo quanto aos impactos ambientais, já que na maioria das vezes corre em vias elevadas.

Monotrilho da Linha 15-Prata em testes na cidade de São Paulo (Foto: Ale Vianna/Photo Press/Estadão Conteúdo)

No outro lado moeda, o governo paulista afirma que, no caso da Linha 15-Prata, cuja operação assistida se inicia neste mês, o modal foi projetado para atender a uma grande demanda, com projeções de transporte de 550 mil pessoas por dia, tornando-se sendo o monotrilho de maior capacidade do mundo. Em uma cidade com uma demanda reprimida nos transportes, a afirmação pode ser plausível.

O fato é que São Paulo vai experimentar uma nova experiência com os trens aéreos – e pode ou deixar um bom legado para outras cidades ou ser mais uma a entrar para as estetísticas dos fracassos nos aerotrens.