Pedalar para ser feliz no trânsito

(Foto: Javier Hidalgo/Flickr)

Quem é mais feliz no trânsito?

Os pesquisadores estadunidenses Eric Morris e Erick Guerra responderam essa pergunta com o estudo O humor e o meio: a forma como nos deslocamos afeta a forma como nos sentimos?, publicado na revista científica Transportation. E a conclusão a que chegaram aponta o que muitos de nós já devem sentir: os ciclistas tendem a ser mais felizes do que pessoas que utilizam outros meios de transporte.

Para a pesquisa, foram 13 mil entrevistados, usuários de diferentes modais de transporte. A partir da análise dos dados obtidos, os autores descobriram que o humor das pessoas durante seus deslocamentos tende a não oscilar muito em relação aos demais momentos do dia – a diferença é que, entre os que se locomovem de bicicleta, esse modo de sentir é mais alegre e positivo.

Logo depois dos ciclistas, em uma linha decrescente de felicidade, estão os passageiros de carros, seguidos pelos motoristas. Os passageiros de ônibus e trem são os que relatam sentimentos mais negativos, embora parte dessa experiência ruim seja atribuída ao fato que o espaço viário ainda é distribuído de forma desigual.

Melhorar a experiência emocional no trânsito pode ser tão importante quanto investir na conscientização em relação a aspectos tradicionais inerentes ao ato de dirigir, como os limites de velocidade e o espaço que deve ser mantido entre os veículos. Entender a relação entre como nos deslocamos e como nos sentimos ajuda a desenvolver formas de melhorar os serviços de transporte, priorizando investimentos e planejando custos e benefícios dos meios de locomoção.

As conclusões do estudo sugerem ainda que o uso da bicicleta pode ter benefícios que vão muito além dos tipicamente citados – saúde e mobilidade –, afetando também a maneira como as pessoas vão se sentir ao longo do dia. Como em qualquer atividade física, pedalar libera serotonina, o “hormônio da felicidade” – além de estarem mais conectados à cidade, os ciclistas chegam aos seus destinos menos estressados e mais alegres.

Fonte: Ciclo Vivo