A fumaça pode ser mais letal do que o ato de dirigir

(Foto: Doron Derek Laor/Flickr)

Em março deste ano, a Organização Mundial da Saúde divulgou um comunicado informando que aproximadamente sete milhões de mortes em 2012 foram associadas à poluição do ar – no mundo todo, houve um amento de 4% das mortes prematuras relacionadas à má qualidade do ar. Interna ou externamente, o ar poluído é hoje o maior risco ambiental à saúde no mundo, e a Netherlands Environment Agency (Agência Ambiental da Holanda) estima que, considerando a média atual de mortes anuais, até 2050 pelo menos 100 milhões de vidas, ou 40%, poderiam ser salvas com medidas preventivas como o uso de carros de baixa emissão.

Nos países desenvolvidos, onde o índice de mortes em decorrência de acidentes de trânsito tende a ser mais baixo, a fumaça dos carros é mais letal do que o próprio ato de dirigir. E a maior parte da poluição vem do transporte – especialmente dos carros: em todo o mundo, dependendo do poluente e da localização geográfica, os veículos são responsáveis por entre 25% e 75% das emissões.

A queima do diesel, combustível mais poluente e mais utilizado nesses países, é mais nociva ao meio ambiente do que a queima de gasolina, por exemplo . No entanto, apesar dos malefícios ao meio ambiente, de modo geral as taxas de imposto ainda são mais baixas para o diesel – entre os países ricos, apenas Estados Unidos, Suíça e Reino Unido cobram mais impostos sobre o diesel do que sobre a gasolina.

Um estudo feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo os 34 países membros da organização mais Índia e China (como grandes países emergentes), mostra que o prejuízo econômico em decorrência da poluição do ar pode chegar a trilhões. Índia e China têm um custo com a poluição maior do que todos os demais membros da OCDE juntos:

O custo anual da China com a poluição é de US$ 1,4 trilhão – a Índia gasta US$ 0,5 trilhão, totalizando 1,9 trilhão. Os 34 países membros têm um custo de US$ 1,7 trilhão por ano.

E o custo tende a aumentar. Isso porque, em países emergentes, à medida que aumenta o nível de renda, aumenta também a quantidade de veículos nas ruas. E nos ricos a grande frota e o uso de diesel ainda são alarmantes. Como, então, melhorar a qualidade do ar?

Entre as principais recomendações do estudo estão medidas políticas e econômicas: reduzir os incentivos tanto para o consumo de diesel quanto para a compra de carros que utilizem esse combustível, manter e tornar mais rígidas as medidas regulatórias, investir em programas de atenuação de impactos (como a melhora do transporte coletivo), avançar as pesquisas referentes aos prejuízos econômicos da poluição e atenuar o impacto sobre os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

Fontes: OMS, OCDE, eCycle