Cidadera: a prefeitura colaborativa

 

Você já enviou alguma reclamação para o prefeito que foi solucionada? Seja por telefone, pessoalmente ou email, nessas horas, é comum darmos com “a cara na porta” ou esbarrar em burocracias. Mesmo quando o recado é aparentemente registrado, é bem difícil vermos a queixa ser sanada.

Os entraves podem mesmo ter um quê de má vontade, por outro lado, muitas cidades estão querendo mudar e ouvir melhor sua população. Porém, muitas vezes os municípios ficam limitados pela falta de pessoal e ferramentas para isso. É o que nos diz o criador do aplicativo Cidadera, Thiago Christof. “E aí surge o Cidadera. Repassamos as queixas para as prefeituras de forma quantificada e organizada”, explica.

Lançado em agosto de 2013, por um grupo de desenvolvedores de São Carlos (SP), a plataforma mobile já conta com aproximadamente 30 mil usuários, espalhados em 300 cidades brasileiras. A ideia é construir um mapa colaborativo que mostre a localização e as fotos dos problemas encontrados nas cidades. A “prefeitura colaborativa” foi montada para ser um facilitador na divulgação das reclamações, além de auxiliar no processo das soluções.

O aplicativo está disponível no iTunes e Google Play.

Confira a entrevista completa que fizemos com o Thiago e saiba como plataformas colaborativas podem ajudar a transformar nosso país.

Qual o objetivo do Cidadera?

O objetivo do Cidadera é melhorar as cidades usando a tecnologia a favor do cidadão. Ele pode, tanto através do site (cidadera.com) ou usando o aplicativo para smartphone, relatar os problemas urbanos que afetam a qualidade de vida dele – um buraco, um mato alto, um terreno abandonado do lado da sua casa, ou então problemas como um posto de saúde com infraestrutura precária ou uma escola sem material escolar. São várias categorias que existem nessa plataforma, que é gratuita para o cidadão, que pode usa-la para mandar seu recado para a prefeitura.

Como esses dados chegam até a prefeitura?

Como são dados públicos, dados que ficam registrados na internet, são considerados dados transparentes. Ficam acessíveis tanto para o cidadão quanto às ONGs e prefeituras. A nossa principal intenção é que as prefeituras prestem atenção nessas informações. Assim, a partir do momento que começam a aparecer muitas reclamações numa cidade, avisamos a prefeitura e a partir daí podem acompanhar as demandas dos cidadãos.

Thiago Christof apresenta o Cidadera durante o Safári Urbano, promovido pela USP Cidades, em abril. (Foto: EMBARQ Brasil)

As cidades já estão procurando vocês para trabalho em conjunto?

Sim, de várias regiões do Brasil. Existem prefeituras que têm a intenção de melhorar e atender de maneira melhor e mais eficiente a essas demandas, mas não sabem como – não têm softwares para isso, nem equipe ou processos. Então, começamos a ouvir a essas prefeituras para usar nosso know-how e  unir as duas pontas, pois acreditamos que essa é a solução ideal. Se você tem o cidadão de um lado pedindo uma demanda, e de outro o órgão público que está interessado em atende-lo, mas não sabe como, se pudermos conectar os dois lados e mostrar para o órgão público como resolver isso de uma maneira eficiente e com gasto muito mais baixo, então provavelmente teremos um resultado positivo para os dois lados.

Qual foi a inspiração para a criação do aplicativo?

Nossa principal inspiração veio dos bugs de computador. Tínhamos uma turma envolvida em tecnologia e pensamos: “nós ver a cidade da mesma forma que enxergamos os problemas de computador”. Quando você usa um programa de informática, às vezes, acontece aquele “bug” que te incomoda, dá errado e faz fechar o programa. Se olharmos para as cidades, elas também têm “bugs” que o governo não conseguiu corrigir.

Mas logo em seguida, depois que tivemos esse insight, veio toda a onda de protestos no Brasil. E isso nos deu força para continuarmos o projeto, porque percebemos que a população brasileira está mais atenta aos seus direitos e quer mudança. Então, acreditamos que estamos no caminho certo, queremos ajudar a população a chegar lá.

Então você acredita que o engajamento social online é uma nova forma para ajudar a elaborar políticas públicas mais efetivas, com auxílio da tecnologia…

Sem dúvida. Quando olhamos para o passado, é bem claro, conseguimos perceber as mudanças. Hoje não sabemos exatamente o que está acontecendo, mas alguma coisa está em transformação. As pessoas que usam redes como Facebook e Twitter estão, cada vez mais,  querendo interferir ou participar das decisões dos órgãos públicos. Isso provavelmente é um bom sinal. Com o tempo, poderemos olhar novamente para essa época e entender o que está acontecendo agora.