Novo manual busca incentivar o uso da bicicleta em comunidades do Rio

Santa Marta, no Rio. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

As bicicletas já fazem parte do cotidiano das comunidades Brasil afora, mas como promover o seu uso e propiciar condições melhores para os usuários? O Manual de Projetos e Programas para Incentivar o Uso de Bicicletas em Comunidades – com lançamento agendado para a próxima terça-feira (20/05), na sede do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio – reúne experiências bem sucedidas na área da mobilidade urbana sustentável e da utilização da bicicleta como meio de transporte. A publicação é uma tentativa de trazer respostas práticas como forma de guia técnico para os projetos municipais.

Suas 125 páginas apresentam um panorama da cidade do Rio de Janeiro, materiais de referência, programas de incentivo e promoção de equidade já em andamento. Também são apresentadas as necessidades dos ciclistas, os elementos básicos do sistema cicloviário, diversos projetos de infraestrutura e de conexão com a cidade e os efeitos de uma estrutura organizada e bem construída.

A publicação é resultado de um estudo da EMBARQ Brasil em parceria com o IAB-RJ. O projeto conta com apoio das secretarias municipais de Habitação e de Meio Ambiente do Rio de Janeiro e foi financiado pela Bloomberg Philanthropies. Abaixo, confira a entrevista com uma das responsáveis pelo estudo, a coordenadora de Projetos de Transporte da EMBARQ Brasil, Paula Santos da Rocha.

Quando surgiu a ideia e quanto tempo levou para concluir o projeto?

A ideia para elaboração do Manual de Projetos e Programas para Incentivar o Uso de Bicicletas em Comunidades surgiu após o Workshop Morar Carioca, realizado pela EMBARQ Brasil no Rio de Janeiro em 2011. Para apoiar os arquitetos e urbanistas na então nova tarefa de urbanizar as comunidades do Rio de Janeiro de forma a integrá-las à cidade formal, o manual começou a ser projetado em 2012. Foram contratados consultores que, juntamente com uma equipe formada pela EMBARQ Brasil, Secretaria Municipal de Habitação, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, IAB e escritórios cariocas de urbanismo, visitaram comunidades com variadas topografias afim de indicar as melhores práticas para esses locais. Após dois anos de pesquisa, o manual está sendo lançado em 2014.

Em que sentido esse manual irá atender as comunidades do Rio?

O manual traz especificações de uma infraestrutura segura para ciclistas que pode ser implantada dentro da comunidade, seja ela plana ou inclinada, tanto quanto em regiões de interface com a cidade formal. Além disso, o manual também aborda formas de assegurar que essa infraestrutura seja absorvida pelos moradores, criando a sensação de pertencimento necessária para que a área urbana reestruturada seja efetivamente utilizada, trazendo melhorias na qualidade de vida.

A publicação poderá servir para outras cidades?

O manual poderá ser utilizado por qualquer outra cidade, do Brasil e do mundo, interessada em qualificar o tráfego de ciclistas nas suas comunidades pois contempla exemplos de programas e infraestrutura universais. Alguns detalhes de infraestrutura presentes no manual que fazem referência à medidas adotadas no Rio de Janeiro podem ser adotadas como padrão ou adaptadas conforme o plano diretor de cada cidade.

Qual é a sua expectativa com a publicação do manual?

Muitas pessoas já pedalam nas comunidades, do Rio e de todo Brasil, e essas regiões possuem um grande potencial para o crescimento do ciclismo. A bicicleta é um meio de transporte acessível, saudável e divertido que pode proporcionar aos moradores das comunidades acesso à escola, trabalho, recreação e integração a outras formas de transporte. O objetivo do manual é aumentar o uso de bicicletas em comunidades, evitando que as pessoas migrem para outros modais como motocicletas e automóveis.

Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil

Montezuma e a experiência de Bogotá

Durante o evento de lançamento, haverá uma apresentação de Ricardo Montezuma, convidado especialmente para apresentar o exemplo de mobilidade de Bogotá, considerado hoje um dos modelos mais inovadores no mundo. Montezuma é conhecido por atender diversas entidades internacionais, como Banco Mundial, ONU (Habitat, PNUD e PGU) e o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, desenvolvendo projetos e oferecendo suporte na implantação de políticas públicas voltadas às questões de mobilidade urbana e qualidade de vida da população. Ele também é professor titular da Universidade Nacional da Colômbia e diretor-executivo da Fundação Cidade Humana, em Bogotá.

Entre seus principais estudos estão “Transportes urbanos: organização, gestão e os processos de urbanização de Bogotá”, que lhe rendeu um título de PhD em Urbanismo pela Ecole Nationale des Ponts et Chaussées, em Paris, além de outros 12 livros relacionados ao tema do desenvolvimento sustentável e humanização das cidades. Montezuma também foi um dos responsáveis pelo projeto do TransMilenio, em Bogotá, e tem acumulado diversos prêmios por sua valiosa contribuição para a construção de cidades mais justas.

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 uma visão de futuro