O direito de respirar: a conexão entre transporte e qualidade do ar

Este post foi originalmente publicado em inglês por  e  no TheCityFix.

Cidades pelo mundo buscam meios de mudar, evitar e melhorar sua infraestrutura e modais de transporte para reduzir a poluição do ar. (Foto: WBUR/Flickr)

Hoje, os maiores níveis de poluentes no ar estão concentrados em cidades em desenvolvimento, principalmente na África, Ásia e Oriente Médio. E os veículos motorizados contribuem com entre 25% e 75% desta poluição. Em março deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um comunicado citando que 3,7 milhões de mortes prematuras em 2012 foram associadas com a poluição do ar das ruas.

No mesmo mês, o Banco Mundial publicou um relatório que avalia os impactos sobre a saúde do transporte motorizado, afirmando que a exposição à poluição gerada pelos veículos é uma das maiores causas de morte nos países em desenvolvimento. A exposição ao material particulado – ácidos, produtos químicos orgânicos, metais e partículas do solo ou poeira – e outros poluentes expelidos pelos veículos e usinas de energia pode causar uma série de problemas de saúde, como doença isquêmica do coração, acidente vascular cerebral, doença pulmonar crônica (DPOC), câncer de pulmão nas crianças e infecções respiratórias.

Um dos locais mais prováveis para a exposição a esta poluição do ar é ao longo dos corredores de transporte, onde existem ambos os níveis mais elevados de poluentes dos veículos e o maior tempo de exposição para os pedestres, ciclistas, usuários do transporte coletivo ou passageiros de carro. Para salvar vidas e melhorar a saúde dos cidadãos nas economias emergentes, devemos combater a poluição gerada pelo setor de transportes.

Além de ressaltar a importância de entrar em ação, a OMS observa que a redução da poluição do ar também reduz as emissões de CO2 e de poluentes climáticos de curta duração, tais como partículas de carbono negro e metano, contribuindo para a mitigação de curto e longo prazo da mudança climática.

O QUE AS CIDADES PODEM FAZER: UMA MUDANÇA SOBRE COMO PENSAR SOLUÇÕES

Apesar de números alarmantes recentes, como os acima, a poluição do ar não é uma questão nova. Na verdade, a poluição do ar tem estado na pauta nacional e local por décadas. Ao considerar a melhor forma de resolver esses problemas, tomadores de decisão e especialistas técnicos podem usar, em nível local, a estrutura Evitar-Mudar-Melhorar, para desenvolver um sistema de transportes sustentável, que produza baixas emissões. Abaixo estão alguns exemplos de cidades que aplicaram esta estrutura conceitual para tratar de questões sobre transportes locais e reduzir a poluição do ar:

EVITAR

Os moradores de Lyon, na França, quiseram confrontar o custo ambiental da expansão urbana para evitar um problema ambiental. Mas eles também descobriram que estavam evitando outro. Ao analisar as causas da expansão, os especialistas reconheceram que, no caso de Lyon, a expansão também foi o principal contribuinte para a poluição do ar. A cidade focou em maneiras de evitar a expansão por meio do desenvolvimento urbano inteligente, e pouco a pouco os líderes da cidade começaram a fazer de Lyon uma cidade mais compacta. Especificamente, o planejamento das cidades nas escalas de densidade e humana criou um ambiente propício para as pessoas se locomoverem ao redor das cidades por modais que produzem pouco ou nenhum poluente. Lyon criou espaços para passeio e ciclovias ao longo dos principais corredores de toda a cidade para que as pessoas pudessem chegar rapidamente aos seus destinos sem a necessidade do automóvel.

MUDAR

Um componente essencial para criar sistemas de transporte vibrantes e de baixo carbon também demanda pensar sobre como fazer com que pessoas pensem em modais de transporte alternativos. Istambul (Turquia) pedestrianizou mais de 250 ruas para encorajar a caminhada no centro da cidade. A EMBARQ Turquia vem trabalhando com a cidade tanto na implantação como na avaliação dos impactos da iniciativa. Hoje, 2,5 milhões de pessoas andam pé ao longo das ruas. Os resultados de uma pesquisa realizada para o projeto constatou que 86% dos entrevistados que identificaram as emissões e qualidade do ar como uma preocupação acreditam que a melhor qualidade do ar da Península História é resultado da maior “caminhabilidade” nas ruas.

MELHORAR

Em um esforço para resolver os problemas com a poluição do ar, as autoridades da Cidade do México adotaram uma abordagem expressiva para melhorar a qualidade do ar, melhorando a tecnologia do combustível. Em vez de apenas colocar as políticas reativas nas pessoas, o que reduziu o número de dias que poderiam dirigir, ou da cobrança por quilômetros rodados, os oficiais ordenaram a remoção do chumbo do abastecimento de gasolina da cidade, automóveis com conversores catalíticos, e criaram uma legislação para fazer com que montadores incorporassem os conversores nos carros desde o início, ao em vez de uma mudança lenta e gradual.

AVANÇANDO: O QUE VOCÊ PODE FAZER?

Enquanto é importante que as cidades compreendam a esturutra Evitar-Mudar-Melhorar e seu potencial de melhorar a qualidade do ar para os residentes, cada um pode fazer sua parte para reduzir as emissões de poluentes do setor de transportes. Por exemplo, você pode fazer mais viagens de bicicleta para reduzir o uso do carro na sua cidade. Pode encontrar rotas alternativas para caminhar até o seu destino, ou pode até mesmo ser um catalisador ao criar caminhos na sua própria comunidade. O que você vai fazer para ajudar sua cidade a avançar na direção contra o transporte de baixa emissão de carbono? Conte pra gente nos comentários!

Tradução: Luísa Zottis, do TheCityFixBrasil