Transporte sustentável é urgência, indica novo relatório do IPCC

Corredor BRT Transmilênio, em Bogotá: vias exclusivas oferecem uma alternativa mais rápida, sustentável e eficiente ao carro. O alerta para o uso do transporte individual é feito pela última edição do relatório do IPCC. (Foto: Claudio Olivares Medina/Flickr)

Os esforços crescentes no cenário global para combater as mudanças climáticas não são suficientes. As emissões de gases do efeito estufa vêm aumentando a cada dia, e o principal emissor é o setor de transportes. Quem faz o alerta é o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) no relatório global sobre mudanças climáticas lançado nesta semana.

A primeira década dos anos 2000 compreendeu o período mais crítico das últimas décadas, com um aumento médio de 2,2%. E o pior: 80% dessas emissões vêm da queima de combustíveis fósseis. Mais do que transformar hábitos de deslocamento para modais sustentável, é preciso também mudar os padrões globais de produção e consumo.

No cenário sugerido pelo relatório, a redução da emissão de gases implica também numa redução econômica global em 0,06% ao ano, levando a 1,7% menos consumo global até 2030 e a 3,4% até 2050. Os índices podem até parecer muito sob a ótica de uma sociedade guiada pelo capitalismo, mas extremamente vantajosos face às severas consequências das mudanças climáticas.

As conclusões foram feitas a partir de uma análise de 900 modelos econômicos do globo. Além dos dados, os especialistas que elaboraram o relatório trazem sugestões de medidas que devem ser tomadas urgentemente para limitar o aquecimento do Planeta a até 2ºC até o ano de 2100, pois temperaturas maiores culminariam em severos impactos ao meio ambiente e à saúde humana.

Entre boas iniciativas brasileiras mostradas no relatório, está a Política Estadual de Mudanças Climáticas de São Paulo (PEMC), que prevê a redução de 20% das emissões de gás carbônico até 2020. No setor de transportes, ela incentiva o transporte sustentável, inspeções veiculares e medidas de distribuição de uso do solo pelos carros.

Aqui no país, inclusive, o transporte continua sendo um vilão. Nossa visão, de que ele representa status financeiro e sucesso pessoal é extremamente egoísta quando pensamos na coletividade e nas sérias consequências ao meio ambiente, como mostrado no relatório do IPCC, e à saúde humana. Nossa realidade é comprometedora. Se medidas extremas e ousadas, que desafiem a ideia de que o carro é bom, não forem tomadas, a frota de automóveis deverá dobrar até 2030, emitindo 88 megatoneladas de gás carbônico ao ano, indica o Greenpeace. Há que apostar em tecnologias de energia mais eficientes e na mudança dos padrões de deslocamento nos centros urbanos.