Enquanto União Europeia reduz mortes no trânsito, Brasil perde mais vidas

Reino Unido está entre os países que mais salvaram vidas no trânsito. (Foto: Carlos RM)

A segurança no trânsito é um dos elementos protagonistas do cenário europeu. Desde 2010, foram 17% menos mortes e nove mil vidas salvas. O índice coloca a União Europeia na linha de frente para cumprir a meta da Década de Ação pela Segurança no Trânsito, que é reduzir o número de vítimas pela metade até 2020. Esta é a segunda vez consecutiva que os números são positivos, mostram os dados oficiais, com 8% menos mortos entre 2012 e 2013, e 9% entre 2011 e 2012.

A UE reconhece o transporte rodoviário como o mais perigoso e de custos mais elevados em vidas humanas. Por isso, elaborou um plano estratégico por mais segurança no trânsito que, diga-se de passagem, está surtindo efeito. Entre as medidas previstas, estão o aprimoramento do desenho das vias para mais segurança, tecnologia, fiscalização e educação dos condutores.

A segurança no trânsito é um modelo na Europa. Por isso, é extremamente importante que os bons resultados de 2012 não sejam um caso único. Sinto-me orgulhoso ao ver a UE no caminho certo para atingir a meta de segurança viária até 2020. No entanto, 70 pessoas ainda morrem todos os dias nas estradas europeias e não podemos ser condizentes com isso. Temos que prosseguir com nossos esforços conjuntos em todos os níveis a fim de continuar melhorando a segurança nas nossas estradas, afirma Siim Kallas, Vice-Presidente da Comissão e Comissário europeu responsável pela mobilidade e os transportes em release oficial da UE.

Embora as ações venham gerando bons resultados, ainda existe disparidade entre um país e outro. O Reino Unido, a Suécia, os Países Baixos e a Dinamarca, por exemplo, registraram 30 mortes por milhão de habitantes. Enquanto países como Polónia, Bulgária, Croácia, Letónia, Lituânia e Grécia somam acima de 80 vidas perdidas por milhão de habitantes. Confira o quadro completo.

É importante lembrar que a UE padronizou a forma de registrar ocorrências de trânsito, tornando o registro destes dados mais eficiente.

UMA REALIDADE INCONVENIENTE

O trânsito brasileiro mata mais do que câncer e homicídios. (Foto: Deni Williams)

Em 2011, o Brasil viu um aumento de 4% nas vidas perdidas de 2011 para 2012. Em dez anos, 41,7% mais pessoas morreram nas nossas vias. Se compararmos o Brasil com o pior índice europeu, que é a Romênia (92 mortos no trânsito por milhão de habitante), temos 150% mais vidas ceifadas (com 22,5 mortos a cada 100 mil habitantes). Os Estados onde as mortes mais aumentaram são Maranhão (156%), Piauí (126,2) e Bahia (105,7%). Já em Roraima, Rio de Janeiro e Distrito Federal conseguiram reduzir as mortes em 20,8%, 7,8% e 6,7%, respectivamente. Um detalhe que não pode ser esquecido: a vítima mais vulnerável do trânsito brasileiro – e na maioria das vezes negligenciada – é o pedestre.

Em resposta, os Ministérios das Cidades e da Saúde criaram o Pacto Nacional pela Redução de Acidentes no Trânsito – Um Pacto pela Vida, com campanhas e ações para engajar os poderes executivo, legislativo e judiciário, nos três níveis de governo, e da sociedade civil na redução dos acidentes e violência no trânsito. Através dele também foi elaborado o Plano Nacional de Redução de Acidentes e Segurança Viária para a Década 2011-2020, com recomendações baseadas em cinco pilares: fiscalização, educação, saúde, infraestrutura e segurança veicular.

O trânsito é a oitava causa de mortes no mundo, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS), interrompendo 1,24 milhão de vidas a cada ano. No Brasil, o trânsito mata mais do que câncer e homicídio, o que pressupõe que devemos temer muito mais um motorista atrás do volante do que adoecermos ou sermos mortos numa rua. É isso que queremos?