Planejamento urbano participativo em Auckland

Auckland, Nova Zelândia: plano desenvolvido em parceria com a população quer transformar a cidade na mais habitável do mundo até 2040

Pela primeira vez na Nova Zelândia o processo de planejamento urbano utilizou a análise de dados e sugestões dos cidadãos sobre questões ambientais, econômicas, políticas, humanas, sociais e culturais, entre outras, com a finalidade de pensar e planejar o espaço de uma cidade de forma integrada e participativa. Pela primeira vez, os cidadãos tiveram a possibilidade de influenciar diretamente as políticas públicas direcionadas aos próximos 30 anos, em relação a emprego, transporte público, habitação, educação.

A iniciativa vem de Auckland, a maior área metropolitana daquele país, que em 2011 lançou o Plano de Auckland, um plano estratégico para os próximos 30 anos. Ao fim das próximas três décadas, 75% dos empreendimentos residenciais de Auckland deverão estar nos limites metropolitanos e a área urbana abrigará mais de um milhão de pessoas. Por conta disso, a prefeitura decidiu criar um projeto que, construído de forma colaborativa, em parceria com a população, buscará soluções para o meio urbano, a fim de transformar Auckland na cidade mais habitável do mundo em 2040.

Os planos de Auckland

Atualmente em décimo lugar no 2013 Economist Intelligence Unit’s (EIU) Global Liveability Index, o ranking de cidades habitáveis da Unidade de Inteligência do grupo The Economist, Auckland quer a primeira posição. E para alcançar o objetivo a prefeitura decidiu agir em parceria com a população, por meio de um processo de planejamento urbano participativo. No encontro Auckland Unleashed Summit, em 2011, os moradores puderam deliberar e definir as prioridades para o plano de acordo com os seus interesses e preocupações.

A seleção foi aberta a todos os moradores, guias informativas foram distribuídas aos participantes antes da reunião e seguindo quatro linhas estratégicas foram definidos quatro planos diferentes: o Plano de Auckland, o plano diretor da cidade, o plano marítimo e a estratégia de desenvolvimento econômico. Além disso, uma consulta pública prévia contou com a participação de mais de 2.500 pessoas, que tiveram seus comentários e sugestões publicados.

No capítulo de abertura do Plano, lê-se:

O Plano de Auckland descreve o lugar em que os moradores disseram que gostariam de viver e o que é preciso para fazer de Auckland esse lugar. (…) E isso só pode ser feito com trabalho em parceria e comprometimento mútuo para chegar aos resultados e fazer de Auckland a cidade mais habitável do mundo.

O Plano de Auckland quer mudar a cidade em 30 anos; nos três primeiros, mostrou que a parceria com a população e o trabalho em conjunto são, mais do que possíveis, uma forma eficaz de fazer as coisas acontecerem.

Confira algumas das metas do projeto:

  • Dobrar as viagens anuais no transporte coletivo: de 70 milhões em 2012 para 140 milhões até 2022;
  • Reduzir os acidentes de trânsito de 506 (2010) para menos de 410 em 2020;
  • Reduzir o consumo per capita de água em 15% até 2025;
  • Reduzir os poluentes no ar em 50% até 2016;
  • Reduzir as emissões de CO2 em 10% até 2020, em 40% até 2040 e em 50% até 2050 (base nos níveis de 1990);
  • Aumentar o número de moradores envolvidos nas artes em 75% até 2040;
  • Aumentar o número de pessoas empregadas no setor criativo: de 26.900 em 2007 para 45 mil até 2040;
  • Atingir o índice de 50% da população bilíngue até 2040;
  • Aumentar o índice de moradores que praticam atividade física semanalmente: dos atuais 79% para 90% até 2040.

Fonte: Cidades Sustentáveis