Google Transit é lançado em POA, mas precisa melhorar

Texto: Luísa Zottis e André C. Jacobsen*

Ônibus circulando em Porto Alegre. Google Transit vai facilitar localização dos usuários. (Foto: Benoit Colin/EMBARQ)

Usuários de transporte coletivo em Porto Alegre já podem utilizar o Google Transit, ferramenta lançada ontem (14) que promete facilitar o deslocamento na capital gaúcha. Por uma simples busca, é possível saber onde fica o ponto mais próximo, que linha de ônibus pegar e o tempo estimado de viagem. Ela funciona da seguinte maneira: basta acessar o  Google Maps no aplicativo para dispositivos móveis ou no próprio navegador de internet. Ali, é só digitar o local de destino e optar pelo modo transporte coletivo.

Esse é um primeiro passo importante para o planejamento de viagens, que permitirá futuramente oferecer informações em tempo real, com estimativa do tempo para chegada dos ônibus em cada ponto

No entanto, é preciso estar atento às rotas sugeridas pelo aplicativo. Por ser muito recente, ele ainda está fase de testes e precisará sofrer atualizações.

NECESSIDADE DE AJUSTES

 O TheCityFix Brasil testou a ferramenta com uma busca de um logradouro na Zona Sul da cidade até o bairro Moinhos de Vento, onde está a redação do blog, e o Google Transit não ofereceu as melhores rotas. Para este percurso, o melhor trajeto implica em uma troca de ônibus no Centro, em frente ao Hospital Santa Casa. No entanto, a ferramenta indicou fazer conexão no Mercado Público ou na Av. Loureiro da Silva, tornando a viagem pelo menos 15 minutos mais longa.

O blog testou a ferramenta, que não indicou a melhor rota. Seguindo a sugestão do Google Transit, viajaríamos 15 minutos mais do que a rota ideal.

Informação qualificada é fundamental. Afinal, nada mais frustrante que receber indicações inadequadas ou erradas. Tanto a população (que perde tempo) quanto a ferramenta (que perde confiabilidade) são prejudicadas. Para garantir uma informação pública de qualidade, que melhore a imagem do transporte coletivo, é necessário realizar muitos testes e ajustes antes do lançamento oficial de um planificador de viagens deste tipo. As empresas operadoras de ônibus e os usuários do transporte coletivo podem ser os principais aliados nesta etapa. No Google Transit da capital gaúcha estes cuidados parecem não ter sido tomados.

Durante uma etapa de ajustes, é crucial garantir que os itinerários, tabela horária e tempos de viagem nos diferentes horários do dia estejam corretos e realistas, além de sempre atualizados.

Esperar um ônibus que nunca vai passar ou pegar o ônibus errado, provavelmente seriam as situações mais frustrantes ao utilizar um planejador de viagens.

UMA QUESTÃO DE INFORMAÇÃO

Oferecer um acesso fácil e seguro ao transporte coletivo é fundamental para que mais pessoas optem por ele. Uma forma de fazer isso é por meio de uma política open data, ou seja, fornecendo dados completos que viabilizem o desenvolvimento de ferramentas similares ao Google Transit, por exemplo, personalizada para a cidade. O próximo passo para Porto Alegre, assim, é assumir uma política de informação aberta para aprimorar o serviço em benefício da população.

Para que a informação chegue mais rápido, muitas cidades optam por distribuí-la diretamente aos desenvolvedores de softwares para smartphones. Assim, eles criam aplicativos específicos que facilitam o acesso à informação incluindo noticias sobre imprevistos, atrasos e outras ocorrência até mesmo através do Twitter em alguns casos. Em alguns aplicativos, é possível até avaliar o serviço oferecido, como no caso do Moovit, em que o usuário pode enviar informação sobre atrasos, superlotação ou direção inadequada do motorista, oferendo um feedback para o município.

Disponibilizar a informação para planejamento de viagens no Google Transit representa um importante passo na cidade. A tendência é que a plataforma evolua a um sistema com informação em tempo real, em que os usuários saibam quando o ônibus vai chegar ao ponto onde estão. Antes disso, porém, o município deve definir uma plataforma tecnológica com GPS e outros sistemas padronizados para monitoramento no transporte coletivo.

Usuários aguardam o coletivo no Centro. (Foto: Mírian Bruckschen Motta Barros)

E NA COPA?

No caso de Porto Alegre, uma das anfitriãs da Copa do Mundo neste ano, a ferramenta poderia ir além das rotas de ônibus. Uma sugestão seria permitir o planejamento de viagens utilizando também os táxi-lotação, que corresponde ao serviço de transporte seletivo da capital gaúcha. Mesmo não sendo a opção mais barata, muitas vezes é a melhor alternativa para o trajeto. Com um público que tem pouco ou nenhum conhecimento sobre a cidade, quanto mais modais forem contemplados, mais fácil será a circulação na cidade.

DESENVOLVIMENTO DA FERRAMENTA

A ferramenta foi desenvolvida pela Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC). Durante a cerimônia de lançamento na cidade, o presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, frisou que o projeto foi desenvolvido pelos técnicos da empresa. No entanto, o ideal é que ela fosse uma ferramenta colaborativa: com a participação de técnicos, operadores de transportes e inclusive a população.

O próximo passo, segundo Capellari, é mapear as estações do BikePoa, sistema de compartilhamento de bicicletas. Ele não mencionou nada sobre as ciclovias da cidade, que poderiam ser contempladas facilmente no Google Transit.

* André C. Jacobsen é engenheiro de transportes, especialista em Benchmarking da Associação Latino-Americana de Sistemas Integrados e BRT (SIBRT)