Os pedestres de hoje são os motoristas de amanhã

Em 1960, uma em cada quatro pessoas caminhava pelo menos dez minutos por dia como forma de deslocamento. Hoje, é uma em cada dez. Fonte: Walk Your City

Se nada for feito, é provável que as pessoas optem cada vez mais pelo deslocamento motorizado conforme o passar dos anos. (Foto: Brian Clift)

É comprovado. Caminhadas regulares trazem benefícios físicos, emocionais, sociais, intelectuais e financeiros a quem anda. E também contribuem para uma cidade mais humana. Mas ainda há quem prefira o carro – mesmo para curtas distâncias.

É o que mostra uma pesquisa do Banco Mundial sobre hábitos de deslocamentos entre funcionários de três grandes corporações em São Paulo. Entre os que moravam a menos de 1,5km de distância do trabalho, mais da metade viajava de carro. A descoberta não surpreende. O automóvel também era o favorito da maioria entre todos os modais.

De olho nessa questão, o departamento de transportes de Londres (Transport for London) quis descobrir quem caminha como forma de deslocamento e por quê. O perfil é basicamente formado por jovens entre 20 a 44 anos, a maioria mulheres e solteiros. Moradores de áreas centrais também andavam mais do que os de bairros periféricos.

AFINAL, POR QUE AS PESSOAS CAMINHAM OU NÃO?

A quantidade de pedestres nas ruas vem caindo com o passar do tempo. Quais os fatores-chave desse declínio?

A pesquisa do Transport For London também perguntou quais os argumentos que mais motivam as pessoas a deslocarem-se a pé. O mais convincente, segundo os entrevistados, é que caminhar é uma atividade física. Seguido do fato de ser um transporte sustentável, relaxante e econômico. Por fim, o menos motivador é de que a prática é agradável.

Tempo, rotina e localização são importantes na opção sobre caminhar ou não. Mas quais são os fatores-chave do ambiente urbano que levaram ao declínio do número de pedestres nas ruas? Aí vão algumas teorias:

1. Calçadas inadequadas ou inexistentes

Um espaço urbano acessível oferece segurança às pessoas que decidem caminhar. Certamente, ninguém deseja andar em ruas esburacadas e estreitas.

Uma questão de prioridade. Enquanto os carros ganham espaço para circular e estacionar, pedestres compartilham uma calçada estreita em Porto Alegre. (Foto: reprodução/internet)

 

Alguém se arriscaria nessa calçada? (Foto: reprodução/Ilha Notícias)

2. Poluição

Com tantos carros e congestionamento, é quase impossível aproveitar uma caminhada tranquila nas grandes cidades. As poluições do ar e auditiva transformam o que poderia ser benéfico em um exercício de paciência.

Congestionamento em Pequim, uma das cidades mais poluídas do mundo. (Foto: 2 dogs/Flickr)

3. Falta criatividade no ambiente urbano

Nossas cidades simplesmente não são criativas o bastante para atrair mais pedestres para as ruas. Desde pequenos detalhes como sinalização de distâncias e tempo de viagem a pé, até “surpresas” pelo meio caminho poderiam ser incorporadas para melhorar o dia-a-dia urbano.

Iniciativa Walk Your City dá dicas de tempo e distância para mostrar lugares que não são tão longes assim, e que caminhar pode ser uma ótima escolha. (Foto: divulgação)

 

Uma escada-piano no metrô de São Paulo atraiu as pessoas, que faziam música enquanto pisavam-no. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)