Uma visita ao aeromóvel de Porto Alegre

Trilhos do aeromóvel gaúcho. (Foto: EMBARQ Brasil)

Os trilhos que cortam a BR-116 para conectar a estação do Trensurb ao Aeroporto Salgado Filho chamam atenção não apenas pelo visual, mas principalmente pelo silêncio. O veículo, movido a deslocamento de ar, não emite ruído algum e tem um custo total de operação de apenas 0,50 centavos por viagem.

O sistema, inaugurado em agosto deste ano, possui 814 metros e sua operação ainda está em fase assistida, com funcionamento das 6h30 às 16h. O aeromóvel porto-alegrense, que opera com veículo com capacidade para até 150 pessoas, já transportou cerca de 115 mil passageiros desde sua inauguração, feita pela presidenta Dilma Rousseff.

Aeromóvel em ação. Porto Alegre, RS. (Foto: EMBARQ Brasil)

Atualmente, a linha porto-alegrense é a única em operação comercial no país e, por isso, foi observada de perto pelos técnicos nos meses iniciais após a implantação. “É normal que uma tecnologia nova apresente dificuldades no início. Já tivemos que realizar alguns ajustes que hoje estão superados. Todo sistema é automatizado, fazemos apenas o controle”, explica Silva. O intervalo entre uma partida e outra é de apenas 10 minutos.

O sistema gaúcho deve entrar em operação completa a partir de fevereiro de 2014, quando também contará com mais um veículo com capacidade para 300 pessoas.

O conceito

Apesar da alta tecnologia envolvida, o conceito do aeromóvel não é novidade. Oskar Coester, inventor do sistema e nosso guia na visita, esclarece que iniciou os estudos para o desenvolvimento do aeromóvel ainda na década de 60. O engenheiro montou um protótipo bem sucedido em 1979. Poucos anos depois, em 1983, Porto Alegre via os primeiros jatos de ar do aeromóvel em ação ao longo da avenida Loureiro da Silva. Mais tarde, em 1988, Coester levou a tecnologia para o outro lado do mundo, em Jacarta, onde o sistema opera até hoje.

Oskar Coester desenvolveu o conceito do sistema na década de 60. (Foto: EMBARQ Brasil)

“Acredito que mais importante do que cálculos e estudos, é o próprio conceito do aeromóvel. Um carro, por exemplo, transporta somente até cinco pessoas, ocupa muito espaço e provoca um peso de toneladas no solo. No aeromóvel, o peso de deslocamento por pessoa se equipara ao peso do transporte por bicicleta. Temos um grande aproveitamento de espaço, sem falar na redução de emissões”, explica Coester.

Como funciona

Desenvolvido pelo Grupo Coester, de São Leopoldo (RS), o aeromóvel é um meio de transporte automatizado, em via elevada, que utiliza veículos leves, não motorizados, com estruturas de sustentação esbeltas. Sua propulsão é pneumática – o ar é soprado por ventiladores industriais de alta eficiência energética, por meio de um duto localizado dentro da via elevada. O vento empurra uma aleta (semelhante a uma vela de barco) fixada por uma haste ao veículo, que se movimenta sobre rodas de aço em trilhos.

Informações sobre a operação em tempo real. (Foto: EMBARQ Brasil)

Dados gerais

  • Extensão: 814 metros de trajeto em via elevada (total de 1.010 metros de trilhos, considerando-se terminais de manobra e de manutenção).
  • Terminais: dois (um na Estação Aeroporto da Trensurb, outro no Terminal 1 do Aeroporto Salgado Filho).
  • Veículos: dois (um com capacidade para 150 passageiros e outro para 300).
  • Tempo do percurso total: dois minutos.
  • Investimento: R$ 37,8 milhões. Recursos do Governo Federal.
  • Demanda prevista do sistema: 7,7 mil passageiros por dia.
  • Execução das obras: Aeromovel Brasil S.A. (pacote tecnológico), Premold S.A. (via elevada), T’Trans (veículos) e Rumo Engenharia Ltda. (estações).

Fonte: Trensurb S.A.

Interior do veículo. (Foto: EMBARQ Brasil)