Novembro é marcado por eventos climáticos extremos

BR 116, na região metropolitana de Porto Alegre -RS, foi quebrada para ajudar no escoamento da água. Avenida foi bloqueada por um dia inteiro e deixou motoristas de carros e ônibus presos por horas no local. Motivo foi a chuva histórica na cidade. (Foto: Thiago da Rosa/Jornal NH)

No último mês, o Brasil vem testemunhando um cenário ao qual não está habituado. Fenômenos climáticos extremos, com chuvas muito acima da média prevista, paralisaram cidades. Só em Porto Alegre (RS), por exemplo, a tempestade histórica do último dia 11 de novembro foi de 104 milímetros, quantidade de água que cairia em um mês inteiro. Em todo o Estado, cerca de 2.500 pessoas ficaram desabrigadas, vias públicas foram inundadas e o transporte parou.

A má notícia é que as ocorrências não são novidade no país. Segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais da Universidade Federal de Santa Catarina, entre os anos 1990 e 2000, foram registrados 31.909 desastres por inundações. Mesmo assim, ainda não estamos preparados para lidar e amenizar as possíveis consequências dos eventos extremos, principalmente no que tange à infraestrutura.

“Estamos entrando numa nova era. A mudança climática é uma realidade”, avalia o diretor-presidente da EMBARQ Brasil, Luis Antonio Lindau. Ele pondera que esses fenômenos vão ocorrer com mais frequência e é preciso encontrar alternativas. “O carro não é a solução para as cidades. É mais fácil evitar que os corredores de ônibus sejam inundados do que todas as vias da cidade”, avalia.

Lindau é categórico ao frisar que o transporte coletivo deve estar em foco para oferecer segurança para a população. “As obras viárias precisam ser revistas para drenar muito mais água do que hoje são capazes. E isso de fato está acontecendo em outras cidades do mundo, que já estão se preparando para essas alterações, o que ainda não é praxe no Brasil, mas deveria ser”.

Milhares de pessoas foram prejudicadas em Porto Alegre e região metropolitana. (Foto: Mauro Vieira / Agência RBS)

O tufão Haiyan, nas Filipinas, também atraiu os holofotes mundiais para o país neste mês. Os últimos dados divulgados pelo governo local apontam que 3.976 pessoas perderam a vida na tragédia, e outras milhares foram afetadas ou estão desaparecidas no que foi uma das tempestades mais fortes registradas até hoje. Além das vidas perdidas, o país sofreu grandes prejuízos econômicos e de infraestrutura, por isso precisa de toda contribuição possível.

Um estudo divulgado ontem (18), pelo Banco Mundial, mostra os impactos econômicos de eventos deste tipo no mundo. O relatório aponta um prejuízo quatro vezes maior na última década em relação aos anos 80. Foram US$ 200 bilhões (R$ 453,6 bilhões) desperdiçados por ano, contra US$ 80 bilhões (R$ 113,4 bilhões) na década de 80. E três quartos deste valor são decorrentes de condições meteorológicas extremas.

Vimos que os prejuízos são incalculáveis, tanto em vidas prejudicadas ou interrompidas quanto para as cidades atingidas. Por isso, as mudanças climáticas estão em pauta na Organização das Nações Unidas, que realiza, desde o dia 11, a Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas (COP 19), na Polônia. Até sexta-feira, 200 países estarão reunidos para definir as soluções aos efeitos de eventos extremos em todo o mundo.

Região central das Filipinas ficou cheia de destroços em função do tufão Haiyan. (Foto: Philippe Lopez/AFP)