Campo Grande: cidade amiga das bicicletas

Campo Grande investe em infraestrutura urbana e se torna uma cidade melhor para os ciclistas (Foto: John Matel)

Minha esposa Maria e eu estávamos em Corumbá semana passada, no estado do Mato Grosso do Sul. Embora a cidade tenha um aeroporto internacional, já que faz fronteira com a Bolívia, não existem voos diretos para São Paulo, e nós tivemos de ir a Campo Grande, capital do estado. Não havia nenhum voo com conexão disponível, e nós tivemos que passar a noite na cidade para voar na tarde seguinte. Nós chegamos em Campo Grande às quatro da tarde de domingo e, preciso dizer, no caminho percorrido pelo taxi entre o aeroporto e o nosso hotel, do outro lado da cidade, ficamos extremamente impressionados com as primeiras impressões que tivemos.

Campo Grande é uma cidade relativamente nova e se beneficia disso por ser, em alguma medida, planejada, diferente do que se pode dizer da expansão caótica de São Paulo. Mas o que realmente nos chamou a atenção foram duas coisas em particular. A primeira foi a condição quase pura da grama nas bordas e nos centros das avenidas, e a segunda, a considerável quantidade de ciclovias, separadas das ruas.

O motorista do taxi contou que Campo Grande tem em torno de 100 km de ciclovias e que boa parte deles foi construída apenas no último ano. De fato, a cidade é a segunda ou terceira com mais faixas dedicadas às bicicletas no Brasil, o que para mim foi bastante surpreendente, já que não esperava que uma cidade no interior agrícola do país teria tantas facilidades para os ciclistas.

Nosso segundo motorista de taxi, que nos levou do hotel de volta ao aeroporto no dia seguinte, falou um pouco mais sobre a cidade. O atual prefeito é Alcides Bernal, que parece fazer muito mais sucesso que o predecessor, sustentando um índice de aprovação de 96%. Um grande esforço é feito para manter a cidade a limpa, e parte dessa operação tem sido tirar os mendigos e sem-teto das ruas. Há programas de apoio para essas pessoas, um dos quais envolve os motoristas de taxi. Se um motorista vê um morador de rua, há um número de telefone para avisar o governo municipal, que então envia alguém para ver de que forma a pessoa pode receber ajuda. A cidade também trabalhou para auxiliar os vendedores ambulantes, providenciando um local específico onde pudesse trabalhar legalmente.

As ciclovias no Brasil nem sempre são construídas nos padrões europeus e às vezes são alvo de reclamação por parte dos ciclistas. Mas como você pode ver na foto abaixo, tirada de dentro do taxi, essas parecem ter sido feitas dentro dos mais altos padrões, e estão devidamente distantes do trânsito, perfeitamente seguras para pedalar. Há sinalização abundante para todos – motoristas, ciclistas e pedestres –, além de faixas pintadas sobre o asfalto em auxílio aos ciclistas nos cruzamentos.

Cidades como Rio de Janeiro e Curitiba estão fazendo um trabalho fantástico, transformando-se em locais seguros para pedestres e ciclistas, implementando soluções integradas e holísticas. Campo Grande certamente deve ser incluída nessa lista, e para mim, como estrangeiro e na primeira visita, causou uma grande – e boa – impressão.

Fotos: Simon Robinson

Traduzido por Priscila Kichler Pacheco