Faixas exclusivas deixam os ônibus mais rápidos em São Paulo

Faixas exclusivas garantem mais velocidade aos coletivos (Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press)

Neste ano, São Paulo já implementou 100 km de faixas exclusivas para ônibus na cidade. O resultado é que a velocidade dos coletivos nesses locais praticamente dobrou. De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, que percorreu de ônibus e de carro um trajeto de 23 km entre o Terminal Capelinha, no sul da cidade, e a Praça da Sé, o ônibus foi meia hora mais rápido.

Os avanços, porém, parecem ainda insuficientes para fazer com que os motoristas trancados no trânsito decidam trocar de lado. Uma pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) concluiu que a melhora do transporte coletivo não determina a escolha das pessoas por esse meio de transporte. Os pesquisadores Rodrigo Moita e Carlos Eduardo Lopes desenvolveram um algoritmo para simular o padrão de escolha da população, considerando fatores como renda, fluxo de passageiros e rota a ser percorrida. A conclusão a que eles chegaram é que, para que os motoristas migrem para o transporte coletivo, é preciso tornar mais caro andar de carro. Segundo a pesquisa, um pedágio urbano de um real diminuiria o trânsito em 6%.

De qualquer forma, as mudanças trazidas pelas faixas exclusivas são visíveis. No trecho da Avenida 23 de Maio, a faixa exclusiva já colocou o ônibus à frente dos carros. No período da manhã,a velocidade média passou de 15 km/h para 24 km/h (aumento de 58%), e durante a tarde, passou de 17 km/h para 22,5 km/h (30%). Nos mesmos horários, a velocidade média dos carros é de 22 km/h e 18,5 km/h, respectivamente.

A meta é chegar a 220 km de vias exclusivas para o transporte coletivo até o fim do ano. Nesta matéria do G1, você pode ver uma tabela com a localização e horário de funcionamento de todas as faixas criadas até aqui. O Brasil, sabe-se, ainda dá os primeiros passos na qualificação da mobilidade urbana de suas cidades. A priorização do transporte público e o investimento no setor aparecem como o principal caminho, mas, para que isso aconteça, o transporte coletivo precisa ser mais do que uma opção: deve ser a melhor opção.

Fonte: O Estado de S. Paulo