Cidades mais humanas: priorizando pessoas

Em abril, foi criada em São Paulo a Frente Parlamentar em Defesa da Mobilidade Humana, composta por vereadores de diversos partidos envolvidos com a questão. O objetivo é ampliar os espaços de discussão sobre a mobilidade, seguindo os vieses do planejamento urbano e da educação, cidadania e segurança no trânsito, a fim de fazer com que essas questões se tornem objeto de políticas concretas.

São os primeiros passos da capital paulista em uma direção que já se mostrou certa para muitas cidades do mundo. A priorização dos pedestres no planejamento das cidades ganhou espaço e se tornou uma tendência. Não está só em Copenhagen, reconhecida mundialmente por suas políticas de valorização de pedestres, ciclistas e do transporte coletivo. Londres aderiu às “zonas 30” e viu o número de acidentes cair 40% e Nova York construiu 480 km de ciclovias nos últimos cinco anos, o que diminuiu o uso do carro na cidade.

No Brasil, ações desse tipo ainda são esparsas. Nesse vídeo do Cidades para Pessoas, por exemplo, Natália Garcia mostra a diferença entre atravessar uma rua em São Paulo e Copenhagen.

Em detalhes cotidianos, como o tempo de travessia de uma rua, é possível perceber as prioridades de uma cidade. Por aqui, políticas que priorizem ou facilitem a vida de pedestres e ciclistas muitas vezes ainda são vistas sob o ângulo do automóvel e consideradas transtornos, por restringir o espaço de circulação ou estacionamento dos veículos. Ainda falta, no Brasil, a percepção de que planejar os centros urbanos de forma que garantam acessibilidade, segurança e facilidade de circulação, privilegiando pedestres, ciclistas e o transporte coletivo em detrimento dos carros, traz resultados concretos para as cidades.

Bogotá – que vive uma realidade mais próxima da brasileira – alargou as calçadas, priorizou o transporte público e aumentou a rede cicloviária em 350 km. O resultado foi a valorização dos espaços públicos, além de mais segurança e qualidade de vida para a população.  Urbanista e prefeito da cidade entre 1998 e 2001, Enrique Peñalosa mudou a realidade da capital colombiana com ações focadas na mobilidade, o que resultou em uma redução drástica do índice de homicídios – de 80 a cada 100 mil habitantes para 18, em vinte anos.

No vídeo abaixo, em entrevista concedida a Renata Falzoni em 2010, ele fala sobre a relação entre segurança e o modelo de cidade em questão, ressaltando a importância de priorizar pedestres e os modais não motorizados de transporte para construir uma cidade mais segura. Remodelar as cidades por meio do incentivo ao uso dos espaços públicos e garantindo espaço e segurança aos pedestres melhora a mobilidade urbana e é o caminho para um desejo comum: cidades mais humanas.