Acessibilidade para todos

Para que um sistema seja verdadeiramente acessível, a acessibilidade precisa estar em todos os pontos da rede de transporte. (Foto: EMBARQ)

Dez por cento da população mundial tem algum tipo de deficiência ou necessidades especiais. São 650 milhões de pessoas, 80% das quais vivem em países em desenvolvimento, muitas abaixo da linha da pobreza. Essas pessoas são as que mais precisam de um sistema de transporte público acessível – nos dois sentidos, físico e financeiro. A UN-Enable explica que “tanto nos países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento, as evidências sugerem que as pessoas com deficiência tendem a ser mais pobres que as demais”.

Em alguns países, cerca de dois terços da população com deficiente é também idosa. Desenvolver um sistema de transporte satisfatório para os dois casos é crucial – e um direito humano –, mas pode ser também desafiador. Assim, quando os países em desenvolvimento fazem escolhas e constroem a infraestrutura necessária, as necessidades dos idosos e das pessoas com deficiência precisam ser consideradas.

Acessibilidade é holística

Acessibilidade não diz respeito apenas ao acesso físico em veículos. Para que um sistema seja acessível, ele precisa dispor informações em formatos que sejam compreensíveis por todos e proporcionar treinamento específico aos funcionários, para que entendam as necessidades das pessoas. Ruas, estacionamentos, parques e outras áreas urbanas precisam ser planejados para permitir que todos circulem com segurança e de forma adequada e acessível.

O conceito de acessibilidade também deve ser levado em conta em todas as etapas do caminho percorrido por um pedestre na rua. Um ônibus equipado com elevador para cadeira de rodas não adianta de nada se o cadeirante não tiver um acesso adequado ao ponto de ônibus. A rede de transporte de uma cidade precisa ser acessível em todos os pontos, uma vez que qualquer pessoa só pode completar seu caminho se todos os elos dessa rede, da porta de casa ao destino final, forem seguros e acessíveis.

Esforços globais tentam atender à necessidade crescente

Nos últimos dez anos, houve uma série de esforços para promover acessibilidade por meio da ajuda ao desenvolvimento. A ação de ajuda da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em ingês) ao Vietnam entre 2004 e 2008 incluiu requerimentos e critérios específicos para a acessibilidade. Da mesma forma, a Convenção da ONU para os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada em 2006 e em vigor desde 2008, estabelece o “direito ao movimento” como direito humano e detalha explicitamente os direitos da população com deficiência à acessibilidade e mobilidade. Não está claro, porém, o quanto desses esforços resultou, efetivamente, em uma melhora da acessibilidade. E a necessidade de soluções concretas e ações decisivas só tende a aumentar, dado o crescimento da população idosa de forma geral.

Curitiba: cidade modelo em acessibilidade

Antecipando essa necessidade, algumas cidades já estão trabalhando a fim de melhorar a acessibilidade para todos. Curitiba, a sétima maior cidade do Brasil, com uma população de 1,2 milhão de habitantes, é um exemplo. Lá, soluções de acessibilidade estão sendo aplicadas em todos os estágios da rede de transporte, desde as entradas dos ônibus até o acesso às estações e linhas alimentadoras.

Atualmente, 81% dos pontos de ônibus em Curitiba possuem rampas ou elevadores para cadeiras de rodas, e a cidade tem como meta chegar aos 100% até 2014. Os passageiros embarcam no nível do chão por meio de um sistema de placas que descem automaticamente quando o ônibus chega, o que ajuda não só os cadeirantes, mas também aqueles que possam ter dificuldade para subir degraus. Além disso, Curitiba também tem uma alta porcentagem de serviços alimentadores acessíveis. Como resultado, 21 mil viagens são feitas diariamente na capital paranaense por pessoas com deficiência, e pelo menos mil delas utilizam cadeira de todas.

Em frente

Nessa sexta, dia 19, na sede da ONU em Nova York, 140 Estados membros e centenas de organizações não-governamentais vão se reunir para discutir um caminho para a inclusão da deficiência na agenda de desenvolvimento para o  Post 2015 Development Framework and Disability. Durante o evento, o diretor global da EMBARQ, Holger Dalkmann, modera um painel que irá debater questões chave referentes ao assunto, incluindo a importância da acessibilidade ao transporte público para que essas metas sejam atingidas

Post originalmente publicado em inglês por Robin King no TheCityFix, em 17/07/2013.

Traduzido por Priscila Kichler Pacheco.