O desafio do desenvolvimento sustentável nas grandes cidades

O desafio das megacidades – São Paulo (Foto: Daniel Hübner)

No final do século XX, depois de um crescimento muitas vezes descontrolado, algumas das principais metrópoles mundiais acabaram em uma grave situação socioambiental, com  problemas como a urbanização de áreas impróprias e a poluição de rios e do ar. A partir daí, o tema tornou-se motivo de crescente preocupação, resultando em um ideal de desenvolvimento sustentável para as megacidades. Hoje, o desenvolvimento das cidades precisa ser pensando tendo em consideração os efeitos do crescimento para pessoas e meio ambiente.

E a relevância do tema não diz respeito apenas às grandes cidades de países desenvolvidos, mas também aos espaços urbanos de nações emergentes, como é o caso do Brasil. Em Manaus, por exemplo, que já é uma cidade quente, está fazendo ainda mais calor. A cidade tem regiões secas que concentram ilhas de calor, onde a temperatura hoje é bastante superior a de áreas vizinhas, conforme estudo realizado pelos pesquisadores Francis Wagner Silva Correia e Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, ambos doutores em Meteorologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e professores do curso de Meteorologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). As variações chegam a 3ºC. E o fato de a cidade ter crescido significativamente nas últimas décadas, sem planejamento urbano prévio, em um processo fortemente marcado pelo desmatamento, está diretamente relacionado a essas mudanças.

Nossas cidades, novas em termos históricos, precisam encontrar um modelo de desenvolvimento que leve em conta as demandas do crescimento e da população, mas também as consequências ambientais e para as gerações futuras. Dessa maneira, lugares que estão em processo de crescimento e expansão têm a chance de prevenir erros já conhecidos.

Mudança de pensamento

O caminho para a mudança, ainda que longo, é possível. Muito pode ser feito em prol do desenvolvimento e da preservação ambiental ao mesmo tempo, mas as principais medidas que seguem essa lógica envolvem principalmente o setor de infraestrutura. O uso de fontes de energia abundantes e renováveis, a implementação de saneamento básico completo, a reciclagem do lixo e novas soluções para a mobilidade urbana são alguns tópicos que, quando considerados, têm o potencial de provocar grandes mudanças. Em São Paulo, cidade que produz uma média de 13 mil toneladas de lixo residencial por dia, a meta da prefeitura é aumentar em pelo menos dez vezes o processo de reciclagem e ampliar o programa de coleta seletiva aos distritos que ainda não são atendidos.

Exemplos de desenvolvimento sustentável vêm de variadas partes do mundo, mas todos passam por uma reestruturação de pensamento. A conscientização ambiental é o primeiro passo: adotando hábitos simples, é possível utilizar os recursos naturais de forma inteligente. O uso de energia limpa e renovável – eólica, solar, geotérmica, hidráulica – também é importante, já que evita o consumo excessivo de combustíveis fósseis e diminui a emissão de gás carbônico na atmosfera.

Trabalhar por cidades mais sustentáveis é uma forma de melhorar o mundo. Vamos lá!

Fontes: Atitudes Sustentáveis, O Eco