Seminário ‘Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa para Cidades’ inicia em SP

Mesa de abertura do seminário na POLI-USP. (Foto: Nina Jacobi)

A poluição do ar de nossas cidades vem causando danos severos à saúde e ao meio ambiente, e torna-se crucial encontrar formas de combater seu avanço. Com esse propósito, teve início, na manhã desta quinta-feira (23), o seminário “Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa para Cidades”, promovido pelo programa GHG Protocol, do World Resources Institute (WRI), e o Instituto de Energia e Ambiente, da Universidade de São Paulo (IEE-USP), no auditório da POLI-USP. Com a presença de 400 pessoas – entre representantes de governo, especialistas, pesquisadores e estudantes – o encontro teve o objetivo de apresentar a metodologia para as cidades brasileiras que desejam medir suas emissões e desenvolver estratégias capazes de reduzi-las. José Goldemberg, ex-secratário do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e ex-Ministro de Educação, realizou a palestra magna, que deu início ao ciclo de apresentações.

Já a mesa de abertura foi composta por Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente – IEE-USP; Charles Kent, coordenador para o Brasil da Iniciativa de Cidades Sustentáveis do World Resources Institute; Suely Agostinho, diretora de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Caterpillar Brasil; Nelson Franco, gerente de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio; Mercedes Bustamante, diretora de Políticas e Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; e Anna Maria Louzada Nogueira, Secretária Executiva do Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência-CMMCE.

José Goldemberg. (Foto: Nina Jacobi)

Goldemberg, com a palestra “A contribuição das cidades no enfrentamento ao aquecimento global”, lembrou da importância que as zonas urbanas estão adquirindo a cada ano, já que até 2030 haverá 6,4 bilhões de pessoas morando em cidades – quase a população total do mundo hoje. “A cidade gasta muita energia para ser feita ou expandida e também com a vida urbana, por isso se nos preocupamos com as mudanças climáticas, temos que nos voltar para as cidades”, afirmou. Para o renomado especialista, os inventários podem servir como uma grande ferramenta de auxílio aos municípios para que atinjam um desenvolvimento mais sustentável. “Os inventários são muito importantes como diagnósticos, nos dizem onde é necessário atuar. Várias prefeituras como Rio, Belo Horizonte e São Paulo têm feito inventários, e acho ótimo unificá-los, ainda mais em padrões internacionais, pois assim um aprende com o outro. Mas ainda falta colocar o dedo nos pontos sensíveis e fazer recomendações eficazes”, declarou o ex-ministro.

Charles Kent, do WRI. (Foto: Nina Jacobi)

Na sequência, Charles Kent, diretor WRI no Brasil, apresentou as principais missões da organização internacional que trabalha com programas ligados a Clima, Energia e Transportes, entre outras áreas ambientais. Como exemplo de ação, o especialista lembrou do Projeto Piloto de Mobilidade Corporativa que está sendo desenvolvido na região do Berrini, em São Paulo, com financiamento da Caterpillar e apoio do Banco Mundial e da EMBARQ Brasil (produtora deste blog). No final de sua apresentação, Kent anunciou Rachel Biderman como a nova diretora do WRI no Brasil e lançou um desafio aos presentes: “O Brasil tem muito potencial de ensinar e compartilhar conhecimento que já possui, além de muitos recursos, como o etanol e o gás natural. Agora deve buscar formas de aproveitar isso”, finalizou.

Especialistas apresentam metodologia do GPC. (Foto: Nina Jacobi)

As duas apresentações que encerraram o ciclo de palestras desta manhã foram conduzidas por Wee Kean Fong e Mary Sotos, coordenadores do GHG Protocol. Os especialistas mostraram o processo de desenvolvimento da ferramenta desde o início de sua concepção, em 2001. Feita, inicialmente, para auxiliar empresas privadas, hoje está sendo adaptada às necessidades municipais. No Brasil, Goiânia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro estão participando do projeto piloto do Global Protocol for Community-Level Emissions (GPC). A metodologia é dividida em setores estratégicos (transporte, energia, e outros) e em três “escopos” principais:

  1. Emissões diretas na cidade;
  2. Emissões indiretas relacionadas à energia fora da cidade;
  3. Todas as emissões indiretas relevantes.

Clique aqui para saber mais sobre o Global Protocol for Community-Level Emissions (GPC).

No final da manhã, os palestrantes responderam a perguntas em sessão de debate com o público, com mediação de Viviane Romeiro, do IEE-USP. À tarde, acontece o segundo momento do evento com a realização dos paineis “Iniciativas internacionais” e “Estudos de caso de inventários no Brasil”. Acompanhe aqui a cobertura!

Auditório cheio na POLI-USP. (Foto: Nina Jacobi)