Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa: iniciativas nacionais e internacionais

Os painéis entre especialistas e os debates com a plateia marcaram a segunda etapa do Seminário Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa para Cidades, nesta quinta-feira (23), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Conduzido por Laura Valente, do WRI, o primeiro painel da tarde – formado por Adalberto Maluf, diretor da Rede C40; Igor Albuquerque, gerente de Mudanças Climáticas do ICLEI; e Fernando Figueiredo, diretor do Carbon Disclosure Project – trouxe um panorama das iniciativas internacionais de inventários desenvolvidas pelas respectivas instituições

Adalberto Maluf. (Foto: Nina Jacobi)

Maluf lembrou que os prefeitos têm o poder nas mãos para mudar a realidade, já que possuem autonomia para transformar áreas que afetam diretamente a economia e o desenvolvimento,  como iluminação, transporte, estacionamentos públicos, entre outras. Já Albuquerque apresentou a experiência do projeto Cities for Climate Protection (CCP), iniciado em 1993 em diferentes regiões do mundo como América do Sul, Ásia, Europa e América do Norte. O projeto auxiliou municípios a fortalecerem seu compromisso com o meio ambiente, por meio de inventários que mapeavam e conduziam ações de mitigação dos gases de efeito estufa. Além disso, citou a importância de se aprimorar ferramentas atuais como o Carbonn e o Heat +.

Também Fernando Figueiredo, do CDP, falou sobre o trabalho realizado diretamente com os municípios por meio do CDP Cities – uma rede que ajuda as cidades a entenderem riscos e oportunidades sobre as mudanças climáticas, tanto para a comunidade quanto para as empresas. “É importante media, pois se você não sabe onde e o quanto está emitindo, não saberá como agir contra isso”, frisou Figueiredo.

Painel 2 – Estudos de caso de inventários no Brasil

Segundo painel durante a tarde. (Foto: Nina Jacobi)

Já o segundo painel da tarde, facilitado por Rachel Biderman, do WRI, teve foco em exemplos de inventários realizados nacionalmente a partir das apresentações de Mercedes Bustamante, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;  João Wagner Alves, CETESB; Délcio Rodrigues, Geoklock/Ekos Brasil (São Paulo); João Marcelo Mendes, WayCarbon (Belo Horizonte);  Carolina Dubeux, COPPE-UFRJ (Rio); e Carlos Cerri, CENA/USP (Piracicaba).

Mercedes Bustamante, secretária substituta de Políticas e Programas de Pesquisa Desenvolvimento e Diretora de Políticas e Programas Temáticos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apresentou a caminhada para a realização do 1º e do 2º inventário nacional, como critérios para elaboração, procedimentos de controle de qualidade e revisão de especialistas.

Mercedes Bustamante. (Foto: Nina Jacobi)

Segundo Mercedes, o 3º inventário nacional, que já está em desenvolvimento, deve ser lançado em 2014, com os seguintes princípios para garantir a qualidade do conteúdo:

  • Comparabilidade
  • Consistência
  • Completitude
  • Transparência
  • Precisão

A especialista também mostrou as incongruências entre os diferentes inventários dos municípios que chegam até o Ministério, o que dificulta a comparação direta e a unificação das informações. Os demais painelistas apresentaram, justamente, os principais desafios, critérios e resultados na realização dos inventários de gases de efeito estufa em suas respectivas cidades. Alguns critérios como divisão de setores variam entre os documentos, mas as metodologias se baseiam, em sua maioria, em ferramentas de organizações internacionais, como ICLEI.

Depois das apresentações, os especialistas responderam às questões da plateia em uma sessão de debates coordenada por Sérgio Pacca, do Instituto de Energia e Ambiente – IEE-USP.

Carlos Cerri (esq) e Delcio Rodrigues (dir). (Foto: Nina Jacobi)

Mesa Redonda

A última atividade do Seminário Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa para Cidades foi a mesa redonda “O uso da metodologia de inventários de emissões de GEE como ferramenta de planejamento e seus desafios”, conduzida por Pedro Jacobi, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) da USP e presidente do Conselho do ICLEI Brasil. Os debatedores foram Anna Maria Louzada, CMMCEE/PBH; Délcio Rodrigues, Ekos Brasil; Josilene Ferrer, CETESB; Nelson Franco, SMAC/PCRJ; e Wee Kean Fong, WRI. A voz unânime entre os debatedores foi: agir. Os inventários, enquanto ferramentas são eficientes, mas precisam ser combinados a ações práticas para mitigar, de fato, as mudanças climáticas.

O seminário “Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa para Cidades” foi promovido pelo programa GHG Protocol, do World Resources Institute (WRI), e pelo Instituto de Energia e Ambiente, da Universidade de São Paulo (IEE-USP).