O papel das calçadas na dinâmica das cidades

A ampla calçada da Rua das Flores, em Curitiba (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Nas ruas, existem pelo menos três segmentos de concreto paralelos: um para o trânsito de veículos e dois passeios adjacentes para a circulação de pedestres. Estes últimos, que nós chamamos de calçadas, são caminhos de uso público feitos para garantir que as pessoas, independentemente de idade e condição física, possam circular com segurança e eficiência pela cidade. Sendo assim, é indispensável que sejam mantidas em bom estado e adaptadas às necessidades de todos.

Caminhar, afinal, é uma das maneiras mais saudáveis e plenas de se conhecer uma cidade: você pode parar, atender o celular, entrar e sair dos lugares sem pensar no estacionamento, ver as pessoas, interagir, conhecer. E mesmo a cidade onde se mora sempre tem algo novo a mostrar. Para viver a cidade, é preciso caminhar. E para caminhar, calçadas.

Mas não é toda rua que tem uma boa calçada. São buracos, degraus, desníveis, trechos estreitos demais, pedras soltas. Na maior parte das cidades brasileiras, a legislação determina que as calçadas, sua execução e manutenção, são responsabilidade dos proprietários dos imóveis que se alinham a elas. O resultado é mais ou menos uma colcha de retalhos.

De qualquer forma, é importante considerar que as calçadas são parte essencial do complexo urbano e exercem influência direta na dinâmica das cidades. A decisão de ir a pé, de caminhar ou não caminhar, está ligada a questões de horário, diversidade de opções e densidade populacional, mas também à facilidade de deslocamento e até à estética.

Pode parecer pouca coisa, mas calçadas bem conservadas – e quem sabe até bonitas – estimulam as pessoas a caminhar, a sair de casa sem o carro. E quanto menos carros e mais pessoas nas ruas, melhor para a cidade. Incentivar os meios de transporte não motorizados, por meio da implantação de ciclovias e da qualificação dos percursos de pedestres, representa um ganho para a qualidade de vida da população, que passa a dispor de alternativas viáveis de locomoção e, consequentemente, a contribuir para a diminuição dos congestionamentos.

Se você pode ir a pé, vá a pé! A prioridade é do pedestre.