A polêmica dos novos pontos de ônibus em São Paulo

Foto: Thays Bittar / Folha de S.Paulo

Por Fernando Britto, do Arch Daily Brasil

Nas últimas semanas, novos pontos de ônibus começaram a ser instalados na cidade de São Paulo. Apesar de terem sido anunciados pela Prefeitura como modernos e tecnológicos, os abrigos não têm sido muito bem aceitos pela população.

Ao todo, até o final de 2015, o consórcio responsável pela licitação deverá trocar cerca de 6.500 abrigos e 12.500 totens, sendo que até o fim do ano, 1.400 novos abrigos serão instalados. Os quatro novos modelos, criados pelo designer Guto Indio da Costa, possuem um painel de publicidade de 2 m², o que viabiliza a operação, já que o consórcio pagará R$ 167 milhões pelo direito de propaganda ao invés da Prefeitura ter que arcar pela troca dos 6.500 pontos existentes.

Apesar da notícia, os novos modelos de pontos de ônibus parecem não agradar seus usuários por não cumprir funções entendidas como básicas para estes abrigos: proteger da radiação e do calor do sol e informar sobre as linhas de ônibus e seus itinerários.

Embora o consórcio responsável afirme que o vidro usado nos pontos sejam laminados e com proteção UV, os novos abrigos parecem estar mais abafados e quentes que os já existentes, segundo os usuários.

Além da questão térmica, a falta de informação em uma estrutura chamada de “high-tech” gerou a inconformação dos usuários, que já espalharam os adesivos gaúchos do “Que ônibus passa aqui?”, pelos novos pontos da capital paulistana.

De fato, não é só a cidade de São Paulo que sofre com a qualidade e principalmente com a falta de pontos de ônibus. Na maior parte das cidades brasileiras, as estruturas destinadas são precárias, quando existem, sem conforto, segurança ou informação. O que parece ser uma cultura de nosso país, a questão não só dos pontos de ônibus mas do mobiliário urbano aplicado em diversas outras funções parece estar longe de ser solucionada.

Via Folha de S.Paulo