Sedentarismo mata mais que cigarro

Pessoas que trocaram o carro pela bicicleta sentem a diferença no ganho de tempo e saúde. (Foto: Milton Jung)

Algumas atitudes, como escolher o carro até para ir à padaria, podem estar colocando sua vida em risco. Esta semana, no site da Revista Galileu, a professora I Min Lee, da escola de saúde pública da Universidade de Harvard, chama atenção para este grande problema que a humanidade deve enfrentar com seriedade nos próximos anos: o sedentarismo. A especialista alerta que um terço da população que não pratica exercícios físicos com regularidade está numa perigosa zona de risco.

Para tentar entender o tamanho do problema, pesquisadores realizaram uma comparação da inatividade física com algumas doenças não transmissíveis que matam pessoas no mundo inteiro. As patologias escolhidas foram aquelas que a ONU – Organização Mundial da Saúde aponta como ameaças globais à saúde, ou seja, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer (mais especificamente os de mama e cólon, que vêm sendo relacionados ao sedentarismo). Os resultados mostraram que uma parcela de 6% a 10% da ocorrência das doenças mencionadas são provocadas pelo sedentarismo.

Também foram estimadas quantas mortes seriam evitadas se cada pessoa inativa fisicamente se tornasse ativa e como isso impactaria a média de expectativa de vida das pessoas ao redor do mundo. A conclusão foi que, se a inatividade fosse totalmente abolida, teríamos 5,3 milhões de vidas poupadas e a população mundial viveria, em média, 6 meses e 24 dias a mais.

Para ter ideia do que isso significa, pode-se comparar com as estatísticas do cigarro, amplamente aceito como um mal à saúde. Fumar causa cerca de 5 milhões de mortes por ano no mundo inteiro, segundo I Min Lee. Um pouco menos do que as 5,3 milhões de vidas perdidas no mesmo período devido à falta de exercícios no dia a dia!

Não é preciso ser “um atleta”

A pesquisadora, que também é co-autora de uma série  de estudos publicados no ano passado pelo periódico científico The Lancet sobre inatividade física, garante que ser saudável é mais simples do que parece. Estudos mostram que praticar 150 minutos semanais de exercícios moderados é o suficiente, ou seja, uma caminhada de meia hora, cinco vezes por semana, já tiraria uma pessoa da categoria dos sedentários.

“Muita gente também questiona o que são as atividades moderadas. A dica que gosto de dar é que você precisa sentir seus batimentos cardíacos aumentarem de forma que consiga manter uma conversa com um amigo, mas que não tenha fôlego suficiente para cantar. Qualquer exercício que se encaixe nesse perfil é válido: de nadar a pedalar.”, explica I Min Lee.

Além dos esportes, outras atividades básicas podem ajudar a melhorar a qualidade de vida e a prevenir doenças. “Fazer jardinagem, dançar, brincar com as crianças, passear com o cachorro ou ir à pé até o trabalho também se incluem nessa categoria. São atividades que contribuem para a saúde. Iniciá-las e mantê-las no cotidiano é um bom negócio, tanto quanto parar de fumar”, completa.

Fonte: Galileu