Mais um dia triste no transporte público brasileiro

Foto: Fábio Guimarães / Extra

“A van do horror”. É assim que está sendo chamada pela mídia a van na qual três homens roubaram, bateram e abusaram de um casal norte-americano, na noite do último sábado (30), no Rio. O casal pegou o transporte em Copacabana em direção à Lapa, região boêmia da cidade, pensando em se divertir, mas acabaram vivendo um pesadelo. A mulher, que estava na capital fluminense há um mês para estudar, foi estuprada pelos marginais enquanto seu namorado sofria agressões. Foram 6 horas de horror.

Segundo informações do Jornal Nacional, da TV Globo, o último suspeito foi preso ontem (1º) à noite.

É difícil não ligar o episódio ao estupro da jovem indiana de 23 anos dentro de um ônibus em Nova Délhi, no final do ano passado. No julgamento, nenhum advogado se colocou a favor dos agressores, que ficaram sem defesa nos tribunais. O caso bizarro gerou uma onda de protestos e comoção em todo mundo, com pedidos de mais segurança no transporte público, especialmente voltado para as mulheres.

A cena carioca não é diferente e deve ser encarada com muita seriedade pelas autoridades. Também por ter envolvido uma estrangeira, o caso ganhou proporções internacionais, mas a norte-americana, que já voltou a seu país, não é a primeira a ser estuprada dentro do transporte público do Rio de Janeiro. Outros casos foram registrados nos últimos meses, inclusive com os mesmos suspeitos envolvidos, que tinham licença para circular apenas em São Gonçalo.

As vans foram instituídas como Transporte Urbano Complementar pela Lei 3360 de 2002, mas a primeira regulamentação do serviço ocorreu em 1992. Atualmente, circulam no Rio cerca de 6 mil vans “piratas”, ou seja, irregulares. Os dados são da Coordenadoria Especial de Transporte Complementar da Prefeitura que, desde ontem (1º), iniciou uma operação pente-fino para combater irregularidades. As mais comuns são: circulação sem autorização, mau estado de conservação, excesso de passageiros, recusa de aceitação de gratuidade permitida por lei, desrespeito às normas de trânsito e falta de educação com o passageiro. Todos os problemas podem ser denunciados através do 1746, telefone de denúncia da Prefeitura.

Mas pensando bem, mesmo com licença, quem em São Gonçalo gostaria de ter entrado nessa van?

Independente do motivo pelo qual escolhemos utilizar o transporte público, não pode ser rotina pensar que ao entrar num ônibus, metrô ou na van poderemos não sair. Poderemos perder a bolsa, a carteira, a dignidade e a esperança em um país inteiro. Um transporte público eficiente e seguro deveria ser o mínimo garantido pelo preço da tarifa e impostos que pagamos. Esse sentimento de insegurança não pode ter vez e é contra isso que as autoridades brasileiras precisam lutar, por todos nós. Mesmo não sendo o primeiro, devemos brigar para que seja o último.

Conheça o trabalho da EMBARQ em defesa da segurança das mulheres no transporte público.

  • Cintia

    Ótimo texto!