Um futuro promissor para o transporte urbano

Luis Antonio Lindau no BRT Transoeste, no Rio de Janeiro. (Foto: Mariana Gil / EMBARQ Brasil)

O futuro do setor de transportes começou a ser reescrito em 2012. O documento “O Futuro que Queremos”, consolidado ao fim da Rio+20, inclui expressamente a importância de investimentos em transportes direcionados ao desenvolvimento sustentável para que as nações possam atingir os objetivos estabelecidos durante a conferência. É um grande avanço, pois há 10 anos, na última conferência de desenvolvimento global, em Johanesburgo, o transporte ficou fora da agenda e dos Objetivos de desenvolvimento do milênio.

Tão importante quanto ter o transporte na agenda global é ver o comprometimento assumido em conjunto pelos bancos multilaterais de desenvolvimento, também na Rio+20. Ao destinarem 175 bilhões de dólares para projetos de transporte sustentável, ao longo dos próximos 10 anos, sinalizam o caminho para os grandes bancos nacionais de desenvolvimento. Estima-se o investimento global atual em infraestrutura de transportes como sendo da ordem de um trilhão de dólares. A maior parte desse investimento é destinada para aumentar a oferta de espaço viário aos automóveis. A decisão dos bancos multilaterais retira o foco do automóvel e o dirige às pessoas.

A população mundial deve ultrapassar 9 bilhões de pessoas em 2050, 75 por cento habitando zonas urbanas. A tendência é de que o número de veículos cresça vertiginosamente, saltando dos atuais um bilhão para três bilhões, uma escala de frota incompatível com um planeta que já sofre as consequências da falta de sustentabilidade. Em suma, não podemos continuar reféns do automóvel ao decidir investimentos que promovam o seu próprio crescimento e, assim, comprometam o futuro das nossas cidades.

Precisamos ser mais inteligentes na destinação dos recursos. A mudança de paradigma passa por entender que os investimentos devem estar voltados para o crescimento econômico ambientalmente sustentável das cidades. Assim fez o Banco de Desenvolvimento Asiático com a Iniciativa Transporte Sustentável , um programa de assistência técnica e crédito para projetos de transporte na Ásia e no Pacífico.

Investimentos no transporte sustentável não irão apenas melhorar a forma como as pessoas se movem pelas cidades, mas também oferecer boas condições de acesso e mobilidade a todos os extratos da população. Como diz Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, uma cidade desenvolvida não é aquela onde os pobres andam de carro, mas sim aquela onde até os mais ricos andam de transporte coletivo. Além disso, o investimento no transporte sustentável deve estar direcionado para aumentar a segurança viária e reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Vale lembrar que o setor de transporte responde por aproximadamente um quarto das emissões energéticas globais de CO2 equivalente.

Existe um bom caminho ainda a ser trilhado para que o espaço urbano seja construído para as pessoas e não para os carros, como discutido no último Transforming Transportation. O próximo passo é desenvolver mecanismos eficientes e contar com um monitoramento independente para medir o impacto dos investimentos em transporte sustentável.

*Artigo publicado na coluna “Embarque nessa ideia” da Revista NTU Urbano, edição nº 1 JAN/FEV 2013.

  • Priscila

    Hoje (dia 06 de março) fui entrevistada na estação Nova Barra do BRT pela colaboradora Cintia Freitas, e pela equipe que colabora para este projeto.
    Parabenizo a iniciativa da criação deste projeto sustentável, parabenizo também a cordialidade da equipe ao entrevistar pessoas na rua.

    O mundo precisa de mais iniciativas desta forma!
    Gostei do site, visitarei sempre!

    Sucesso!

    Priscila.