Brasília reinventada

Congresso Nacional em Brasília. (Foto: Christoph Diewald)

Construída na década de 1950 para mostrar alguns dos principais arquitetos do mundo e suas visões de design futurista, Brasília, a capital federal do Brasil, foi concebida com imaginação, inovação e uma estética urbana futurista em mente, cheia de boas intenções. A ideia do arquiteto Oscar Niemeyer e do urbanista Lucio Costa foi proclamada, pela UNESCO, Patrimônio Mundial, em 1987. Mas por baixo de arcos altivos, torres dramáticas e espirais lunáticas, a cidade sente falta de alguma coisa – algo que fica claro quando se observa as fotos da arquitetura: as pessoas. Seus espaços públicos e a infraestrutura de trânsito não foram concebidos tendo as pessoas em mente.

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Alinhado a uma visão do modernismo urbano do século XX, Niemeyer e Costa desenharam as principais vias da cidade de modo que se assemelhassem ao contorno de um avião ou pássaro, vista de cima. Devido ao seu design excepcional, Brasília foi concebida como uma herança mundial. Isso apresenta um desafio formidável para os atuais arquitetos e urbanistas que desejam humanizar a cidade e melhorar seu estilo de vida e caráter urbano. É difícil chegar a qualquer lugar rapidamente e com confiança sem um carro, e não há caminhos para ir a pé e nem ciclovias. Mas agora, o apelo por uma ampla variedade de opções de transporte, ruas mais seguras e melhores acessos para um número maior de pessoas, criou a vontade política de responder às necessidades da população.

A realidade da vida urbana em Brasília

Há um consenso crescente entre os 2,5 milhões de habitantes de Brasília de que o atual sistema de transporte não satisfaz as necessidades de seus usuários. As opções atuais disponíveis para os moradores e trabalhadores – que realizam grande deslocamento pendular das áreas periféricas para o centro – são limitadas às linhas tradicionais de ônibus urbanos e rurais, microônibus e vans e um sistema de metrô limitado, em funcionamento desde 2001 que transporta 150.000 passageiros por dia. Assim como está, 62% dos usuários do transporte coletivo de Brasília considera o sistema “pobre”, e apenas 0,3% classifica-o como “bom”. A frota ultrapassada e a acessibilidade limitada nas estações contribuem para a insatisfação do passageiro. Um usuário comentou: “Em Brasília, ônibus não se pega, se conquista”.

Soluções

Brasília é um bom exemplo de como a infraestrutura, cultura e identidade histórica de uma cidade podem não só melhorar, mas também representar desafios para designers, viajantes e habitantes que desejam um ambiente urbano propício para uma vida mais sustentável e de fácil locomoção. A liderança política em Brasília reconhece isso e está caminhando em direção às soluções.

Uma nova lei de mobilidade urbana vai estimular o redesign das cidades brasileiras, tornando-as mais seguras, saudáveis e acessíveis a um número maior de pessoas. Além de um VLT em fase de planejamento, novos corredores BRT serão instalados em 2013 e 2014. Em junho de 2012, Nazareno Stanislau Affonso, coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade e do escritório de Brasília da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), comentou sobre políticas de estacionamento existentes, como forma de efetivamente limitar o uso de automóveis. Affonso ainda exige não apenas uma mudança nas políticas públicas, mas uma mudança de valores, estilo de vida e da nossa visão do futuro. Desta forma, gerações podem apreciar o valor da história e do legado de Brasília, como Patrimônio Mundial e um lugar para viver, trabalhar e desfrutar.

Benoit Colin e Elise Zevitz também contribuíram. 

Post originalmente publicado em inglês no TheCityFix, em 26/02/2013.