O biocombustível pode se tornar um vilão para a nossa saúde?

Testes com biodiesel no Campus Ministro Theotônio Vilela em parceria com a Brasil Ecodiesel, em Teresina, Piauí. (Foto: Mais Brasil 2009)

A pergunta parece contraditória ou provocadora, mas tem fundamento. No último domingo (06), a Universidade Lancaster, no Reino Unido, e o Instituto de Tecnologia Karlsruhe, na Alemanha, publicaram uma importante pesquisa, na revista “Nature Climate Change“, que mostra como a expansão de áreas agrícolas de produção de biocombustível pode ser prejudicial à nossa saúde. Na Europa, onde o milho e a beterraba são as culturas mais utilizadas para gerar biocombustível, a prática está em ascensão, mas despertou alerta na comunidade científica a partir dos dados publicados.

O estudo comprovou que ao expandir a produção de biocombustível há aumento também da poluição por ozônio no nível do solo, elevando em 1.365 o número de mortos por ano. O valor significa um crescimento de 6% com relação ao número atual de pessoas que morrem por problemas ocasionados pela poluição do ar, de 22 mil por ano no continente. Isso acontece porque a maioria das plantas cultivadas para gerar biocombustível emite isoprene, uma das principais substâncias capazes de produzir ozônio entre as geradas pela vegetação.

Perigo do ozônio próximo a nós

Apesar de compor a camada protetora da Terra na atmosfera, ao nível do solo, o ozônio age como um poluente. Em geral o gás é emitido por automóveis e pela indústria e a exposição prolongada ao ozônio pode causar redução das funções pulmonares, inflamação nas vias respiratórias e elevar as chances de doenças cardiovasculares.

O cientista Nick Hewitt, um dos autores do estudo, criou modelos matemáticos para estimar o crescimento da poluição por ozônio em nível do solo como resultado da expansão da produção para o biodiesel e averiguou também os impactos na saúde populacional. Em sua estimativa, concluiu-se que o biodiesel deve crescer 33% em 20 anos na Europa, considerando as áreas disponíveis no continente para esta prática agrícola. Caso esta expansão ocorra, a emissão de isoprene vai subir cerca de 40%, e, com isso, a emissão de ozônio também aumenta, levando a maior poluição.

Contraponto

Ainda assim, especialistas afirmam que é necessário ponderar o quanto de benefícios a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis traria a longo prazo. Veja algumas vantagens do biodiesel em relação à gasolina ou ao diesel, por exemplo:

  • Fácil adaptação para frota existente;
  • Reduz a dependência ao petróleo;
  • A queima emite menos gases do efeito estufa do que a queima do petróleo;
  • É um combustível renovável.

Fonte: EMBARQ Brasil

Como podemos ver, o biocombustível não é um vilão e, sim, mais uma alternativa em detrimento aos combustíveis fósseis que tanto contribuem para o nosso esgotamento ambiental. Porém, estudos como este são fundamentais para que possamos ponderar e entender a complexa rede e os efeitos que os biocombustíveis podem gerar.

Fonte: Globo Natureza