Emissões mundiais de CO2 sobem em 2011 e batem recorde, diz instituto

Publicado no Globo Natureza* em 14/11/2012.

As emissões globais de dióxido de carbono em 2011 atingiram novo recorde e subiram para 34 bilhões de toneladas, 2,5% a mais do registrado em 2010, informou nesta terça-feira (13) o Instituto de Energia Renovável da Alemanha (IWR).

O IWR, que fornece consultoria para ministérios alemães, mencionou a atividade recuperada da indústria após o fim da crise econômica global dos últimos anos para justificar o aumento. “Se a tendência atual for mantida, as emissões mundiais de CO2 irão subir outros 20%, para mais de 40 bilhões de toneladas, até 2020”, afirmou o diretor do instituto, Norbert Allnoch.

A metrópole chinesa de Wuhan foi coberta por nuvem amarelada espessa nesta segunda (11). Aumentando os temores de poluição entre seus nove milhões de habitantes. (Foto: AFP)

Poluição cobre atmosfera da cidade chinesa de Wuhan, com cerca de 9 milhões de habitantes (Foto: AFP)

A China liderou a lista de países emissores em 2011, com 8,87 bilhões de toneladas de CO2, aumento em relação aos 8,33 bilhões lançados na atmosfera em 2010. A produção de dióxido de carbono na China foi 50% maior que as 6,02 bilhões de toneladas produzidas pelos Estados Unidos no ano passado. A Índia ficou em terceiro, na frente de Rússia, Japão e Alemanha.

País Emissão de CO2 em 2011 (em toneladas)
China 8,87 bilhões
EUA 6,02 bilhões
Índia 1,78 bilhão
Rússia 1,67 bilhão
Japão 1,31 bilhão
Alemanha 804 milhões
Coreia do Sul 739 milhões
Canadá 628 milhões
Arábia Saudita 609 milhões
Irã 598 milhões
Grã-Bretanha 513 milhões
Brasil
488 milhões
México 464 milhões
Indonésia 453 milhões
África do Sul 452 milhões
Fonte: IWR/Ministério da Economia da Alemanha

Brasil

O Brasil é o 12º em emissão de CO2, segundo o ranking produzido pela IWR. O país liberou 488 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera em 2011, mais do que México (464 milhões), Indonésia (453 milhões) e África do Sul (452 milhões).

Em maio, a Agência Internacional de Energia havia afirmado que as emissões globais de CO2 cresceram 3,2% desde o ano passado. A liberação do gás na atmosfera havia subido para 31,6 bilhões de toneladas.

O IWR vem apresentando propostas para frear o aumento do uso de combustíveis fósseis e estabilizar as emissões globais do dióxido de carbono, ao relacionar a produção de cada país ao investimento obrigatório em equipamentos para proteger o clima e energia renovável.

As emissões mundiais de CO2 estão 50% acima do nível de 1990, ano tomado como base pelo Protocolo de Kyoto sobre o clima. O primeiro período de duração do protocolo termina em 31 de dezembro e seguirá direto para um novo período de compromissos.

A extensão do novo período de compromissos deve ser decidida quando líderes mundiais encontrarem-se em Doha, este mês, para uma cúpula da ONU sobre esforços globais para enfrentar a mudança climática.

A cúpula da ONU tem como objetivo finalizar um novo acordo até 2015 para redução de emissões, que entraria em vigor em 2020.

*Com informações da Reuters